Presidente sul-coreano, julgado por insurreição, diz que queria impedir uma ditadura

O presidente sul-coreano, Yoon Suk Yeol, acusado de “insurreição” pela tentativa de impor lei marcial em dezembro, queria impedir uma “ditadura legislativa”, argumentou sua defesa nesta quinta-feira (20), durante a primeira audiência do julgamento criminal. Este é o primeiro processo em um tribunal penal contra um presidente em exercício na história da Coreia do Sul.

A audiência aconteceu em uma sala lotada, com um grande dispositivo de segurança. De modo paralelo ao julgamento, outro processo é examinado no Tribunal Constitucional, que deve confirmar ou anular a destituição de Yoon, aprovada em 14 de dezembro pelo Parlamento. Enquanto aguarda o veredicto, Yoon continua sendo oficialmente presidente do país. Yoon Suk Yeol, 64 anos, foi acusado de “insurreição”, um crime que pode ser punido com pena de morte ou sentença de prisão perpétua.

Ele não está protegido pela imunidade vinculada ao cargo. Detido em 15 de janeiro, depois de permanecer entrincheirado durante semanas em sua residência em Seul, Yoon foi acusado em 26 de janeiro e colocado em prisão preventiva por um período de seis meses. Após o período, caso ainda não tenha sido condenado, ele deverá ser libertado. A Promotoria, que o acusa de ser o “líder de uma insurreição”, solicitou nesta quinta-feira a manutenção de sua detenção, alegando “a possibilidade de que o acusado possa influenciar ou persuadir as pessoas envolvidas no caso”.

Yoon, que compareceu à audiência, não falou no tribunal. Seu advogado, Kim Hong-il, pediu a anulação do documento de acusação, resultado, segundo ele, de uma “investigação ilegal”.- Caos político -O presidente conservador mergulhou o país em um caos político em 3 de dezembro ao decretar lei marcial e enviar o Exército ao Parlamento, em uma tentativa de silenciar os congressistas.

Mas seis horas depois, ele teve que recuar, depois que os deputados conseguiram se reunir em caráter de urgência e votar uma moção que exigia a restituição do regime civil. O presidente justificou a medida alegando que o Parlamento, dominado pela oposição, bloqueava a aprovação do orçamento do Estado.”A declaração de lei marcial não pretendia paralisar o Estado, e sim alertar a população sobre a crise nacional provocada pela ditadura legislativa do partido opositor dominante, que havia paralisado a administração”, afirmou o advogado de defesa nesta quinta-feira.- Outro julgamento no mesmo dia -Outra audiência, no Tribunal Constitucional, também aconteceu nesta quinta-feira para confirmar ou anular o impeachment do presidente.

O ex-primeiro-ministro Han Duck-soo, também acusado como presidente interino, e um ex-comandante dos serviços de inteligência, Hong Jang-won, também prestaram depoimento. Han Duck-soo, declarou que expressou “oposição” à decisão de Yoon de decretar lei marcial, pois tanto ele como a maioria do Executivo acreditavam que “a declaração poderia deixar a Coreia do Sul em graves dificuldades”.

Yoon abandonou o local após cinco minutos e seu advogado neste caso, Yoon Kap-keun, disse aos jornalistas que Yoon considerava “inapropriado” aparecer na mesma sala que seu ex-primeiro-ministro, ou assistir seu depoimento.”Não é bom para o prestígio da nação”, disse Yoon, citado por seu advogado. Yoon voltou depois para ouvir a declaração de Hong Jang-won, a quem acusou de ter tramado a sua destituição.

Esta foi a 10ª audiência neste processo e o tribunal informou que a última acontecerá no dia 25 de fevereiro. Se o Tribunal Constitucional ratificar a destituição de Yoon, o país terá que organizar eleições presidenciais em um prazo de 60 dias. Em caso contrário, Yoon será restituído ao cargo de presidente. 

Thu, 20 Feb 2025 14:36:14 GMT