Manifestantes vão às ruas em todo o país contra PL da Dosimetria

Milhares de pessoas se mobilizaram neste domingo (14) nas ruas de todo o país para protestar contra o PL da Dosimetria, que reduziria drasticamente a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Os protestos foram convocados por movimentos sociais, sindicatos e organizações estudantis de esquerda depois que a Câmara dos Deputados aprovou na madrugada de quarta-feira a proposta, promovida pela maioria conservadora.

As manifestações ocorreram em dezenas de cidades, incluindo Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. O cantor Caetano Veloso liderou a convocação para um novo “ato musical” na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, repetindo a fórmula de uma manifestação de setembro contra a PEC da Blindagem, que buscava ampliar a imunidade dos deputados e senadores, e contra a anistia para os condenados pela trama golpista.

Em Brasília, um mar de gente se reuniu perto do Museu Nacional da República, e marcharam em direção ao Congresso Nacional carregando cartazes que dizem “Sem anistia” e “Congresso, inimigo do povo”.”Eles legislam de costas para a população”, disse Thaís Nogueira, professora de 45 anos, à AFP em Brasília. “Então, quando eles veem esses protestos, eles falam: ‘Opa!

A gente tem que tomar um pouco de cuidado'”. O PL da Dosimetria foi aprovado por ampla maioria na Câmara e modifica as penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito, entre outros. Agora, a iniciativa está pautada para ser debatida no Senado na próxima quarta (17). Se aprovada, Bolsonaro poderá ter direito à liberdade condicional em pouco mais de dois anos, segundo o relator do texto.”Não pode tirar ele!”, enfatizou em Brasília para a AFP a agrônoma Viviane Anjos, de 40 anos.

Se Bolsonaro sair da prisão em dois anos, “acabou com o processo jurídico no país, o processo legal, a Constituição”.- ‘Sem anistia’ -O ex-presidente foi considerado culpado de liderar uma conspiração para impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumisse o cargo após as eleições de 2022. Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), a conspiração incluía planos para assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Desde o fim de novembro, Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, em uma cela com ar-condicionado, frigobar e TV. Antes disso, o ex-presidente estava em prisão domiciliar e foi mandado para a carceragem por risco de fuga após tentar queimar com um ferro de solda a tornozeleira eletrônica que monitorava sua localização. No Rio, a orla de Copacabana se encheu de cartazes em um ambiente festivo, à espera da apresentação musical com grande nomes da música brasileira, entre eles Gilberto Gil e Chico Buarque.

Entre os presentes, vendedores ofereciam camisetas com o desenho de uma tornozeleira eletrônica. Além disso, uma multidão ocupou vários quarteirões da Avenida Paulista em São Paulo, com direito a um boneco gigante de Bolsonaro. O projeto de redução da pena de Bolsonaro ressurgiu dias depois de o presidente ter indicado seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), como seu sucessor para as eleições de 2026.

Flávio manifestou sua disposição de retirar a candidatura em troca de uma anistia para o pai. Durante meses, os aliados de Bolsonaro no Congresso consideraram diversas opções para atenuar a pena do ex-presidente, incluindo uma anistia que perdeu força após os protestos maciços de setembro. Os manifestantes também protestam contra a aprovação pelo Senado da emenda constitucional que incorpora o Marco Temporal, que restringe os direitos territoriais indígenas.

Sun, 14 Dec 2025 22:29:49 GMT