Os protestos estudantis na Índia contra irregularidades nas provas de vestibular, liderados pelo movimento das “Baratas”, alcançaram uma vitória neste sábado (25) com a renúncia do ministro da Educação.”Para que a nação permaneça unida e os estudantes não se envolvam em problemas legais, podendo se concentrar em seus estudos e carreiras, decidi apresentar minha renúncia ao primeiro-ministro”, anunciou o ministro Dharmendra Pradhan em sua conta no X.
O anúncio foi recebido com aplausos e vivas dos milhares de manifestantes que estavam acampados dia e noite desde segunda-feira em Jantar Mantar, no coração de Nova Délhi. O Partido Popular das Baratas (CJP), que exige mudanças no sistema educacional após vários escândalos nas provas, reagiu imediatamente e anunciou o fim dos protestos depois de afirmar que o governo indiano aceitou todas as suas exigências.”Todas as nossas demandas foram aceitas, portanto, pedimos aos manifestantes que se retirem imediatamente e retornem para casa pacificamente”, disse Ashutosh Ranka, porta-voz do CJP.”Viva o poder dos estudantes!”, “A democracia triunfou”, escreveu o movimento, que se tornou a voz dos protestos, nas redes sociais. “Conseguimos!” comemorou seu fundador, Abhijeet Dipke, no Instagram. Os estudantes ficaram indignados com as irregularidades em massa ocorridas em maio durante o exame nacional de admissão às faculdades de medicina, que contou com a participação de mais de dois milhões de candidatos. Segundo a imprensa local, o cancelamento da prova levou ao suicídio de cerca de vinte estudantes. Na segunda-feira, a polícia reprimiu com violência uma manifestação de jovens que marchavam em direção ao Parlamento para exigir a renúncia do ministro, usando cassetetes e gás lacrimogêneo. A violência resultou em 180 feridos, segundoa polícia.
Os manifestantes alegam que foram “centenas”.- “Mudar o sistema” -A lista de queixas dos jovens manifestantes se expandiu e agora inclui desde a dificuldade de encontrar emprego após a universidade, apesar do forte crescimento do país, até o que eles percebem como os métodos autoritários do primeiro-ministro, Narendra Modi. “Os estudantes têm razão em reclamar”, disse à AFP neste sábado Abhijit, um engenheiro que protestava com amigos em Nova Délhi. “Mas não tenho certeza se a renúncia do ministro será suficiente para mudar alguma coisa”, acrescentou.
Em sua opinião, “é preciso mudar o sistema completamente”. O anúncio da renúncia do ministro ocorre horas antes de uma reunião agendada entre o governo e representantes estudantis. Sob pressão, o governo aprovou na sexta-feira, em reunião de gabinete, um projeto de emenda à lei que prevê “processos judiciais acelerados e penalidades severas” para quem fraudar provas. O texto será agora debatido no Parlamento.
Reeleito para um terceiro mandato em 2024, Narendra Modi divulgou um novo vídeo nas redes sociais na noite de sexta-feira, agradecendo aos manifestantes por suas “contribuições positivas” para o debate. “A imagem de Modi sofreu um grande golpe” durante esta crise, disse o analista Nilanjan Mukhopadhyay à AFP. “O governo não teve escolha a não ser recuar”, acrescentou, “mas a forma como foi ridicularizado nos últimos dias é sem precedentes.” A oposição parlamentar se posicionou ao lado dos manifestantes.
Seu líder e chefe do partido do Congresso, Rahul Gandhi, exigiu a renúncia do primeiro-ministro.
Sat, 25 Jul 2026 13:20:16 GMT
