Trump veta acesso dos veículos CNN, MSNOW e Politico à Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) que vetou o acesso à Casa Branca das emissoras CNN e MSNOW e do site de notícias Politico, semanas antes das eleições legislativas. Diante de uma forte queda em seu índice de aprovação, Trump explicou que tomou a decisão contra os três veículos “como resultado de suas constantes notícias falsas”.”Os veículos de mídia não deveriam poder escrever ou reportar constantemente FICÇÃO e MENTIRAS quando estão cobrindo o presidente dos Estados Unidos, o governo Trump ou os Estados Unidos da América”, acusou o presidente. “Outros Veículos de Notícias Falsas serão incluídos” na proibição, advertiu.

A CNN afirmou que sua cobertura é “justa e precisa” e está protegida pela Constituição dos Estados Unidos. A emissora ressaltou que uma proibição “seria um ataque ilegal contra esse direito fundamental”. Já o Político respondeu que “continuará informando de maneira justa” sobre este e os próximos governos americanos. “Defenderemos vigorosamente nossos direitos.”Após o anúncio na plataforma Truth Social, Trump voltou a receber jornalistas no Salão Oval, para um evento sobre os preços dos medicamentos, e atacou novamente a grande maioria dos presentes, que chamou de “desonestos”. “Acho que alguém tem o direito de mantê-los afastados se escrevem histórias falsas o tempo todo”, declarou.- Ameaças e insultos -Trump fez do confronto constante com a imprensa uma das marcas de sua carreira política.

Ameaças e insultos a jornalistas têm sido frequentes ao longo de seus dois mandatos. Aos 80 anos, o presidente entrará em janeiro na segunda metade de seu mandato de quatro anos em meio a uma guerra com o Irã que tem pouco apoio da população, mais preocupada com a economia e a inflação. Sua base política republicana, no entanto, permanece fiel a seu estilo agressivo. Há anos, Trump acusa veículos como a CNN de terem ajudado a disseminar as acusações de que teria conspirado com a Rússia durante seu primeiro mandato como presidente.

Durante esse mandato, retirou a credencial do jornalista Jim Acosta, da emissora, mas posteriormente a Justiça obrigou a Casa Branca a restabelecer seu acesso. Acosta acabou deixando a CNN, assim como outros jornalistas do canal. Trump também se irritou particularmente com a cobertura jornalística e a divulgação de fotos e documentos que o relacionavam ao magnata condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein.

Embora o presidente classifique esses veículos como “fake news”, isso não o impede de atender regularmente a telefonemas diretos de jornalistas, ainda que de forma breve. Ao retornar à Casa Branca, sua equipe de comunicação anunciou que abriria a sala de imprensa a veículos alternativos conservadores e a influenciadores sem experiência em cobertura política. No ano passado, Trump vetou a Associated Press em alguns eventos devido à decisão da agência de notícias americana de continuar se referindo ao “Golfo do México”, e não ao “Golfo da América”, como havia determinado o presidente.

O republicano processou jornais como o New York Times e o Wall Street Journal, pedindo indenizações bilionárias. A proibição anunciada nesta sexta-feira, caso seja efetivada, “seria simplesmente inconstitucional” e seria derrubada pela Justiça, avaliou Bruce Brown, presidente do Comitê de Repórteres pela Liberdade de Imprensa. A liberdade de imprensa é garantida nos Estados Unidos pela Primeira Emenda da Constituição.

A Associação de Correspondentes da Casa Branca — a entidade independente que representa os jornalistas que cobrem a Presidência — afirmou que “segue na defesa” dos jornalistas “que estão sendo atacados por fazer seu trabalho”.

Sat, 19 Sep 2026 00:16:27 GMT