Acusados de estuprar mulher drogada pelo marido alegam que era “uma fantasia” do casal
Dois britânicos acusados de estuprar uma mulher cujo marido convidava desconhecidos para manter relações sexuais com ela enquanto estava inconsciente afirmaram, durante o julgamento na Inglaterra, que acreditavam participar de um “jogo” do casal. O caso lembra o de Dominique Pelicot, condenado a 20 anos de prisão na França, em um julgamento que teve repercussão mundial em 2024.
Sua ex-esposa, Gisèle Pelicot, tornou-se um símbolo da luta contra a violência sexual após decidir tornar públicos os estupros cometidos por dezenas de homens recrutados por seu então marido. Em Winchester, no sul da Inglaterra, quatro homens estão sendo julgados desde a semana passada por agressões sexuais contra Joanne Young. Seu então marido, Philip Young, entregava a mulher a desconhecidos recrutados pela internet enquanto ela dormia ou estava inconsciente.
Philip apresentava as práticas como uma “fantasia sexual” do casal. Ele reconheceu ter drogado repetidamente a ex-esposa durante 13 anos para que fosse estuprada. Entre os acusados está Richard Wilkins, de 62 anos, que responde, entre outros crimes, por estupro que teria ocorrido em 2016. Nesta quarta-feira (4), perante o Tribunal Penal de Winchester, Wilkins declarou ter ouvido um “barulho de ronco” ao se aproximar de Joanne Young, que estava deitada na cama, vendada e amarrada.”Pensei que fizesse parte do roteiro do jogo de que eu estava participando”, afirmou Wilkins, acrescentando que a mulher parou de roncar quando ele começou a manter relações sexuais com ela.
O acusado afirmou que não suspeitou que ela tivesse sido drogada nem que não estivesse consentindo com o ato. No início desta semana, outro acusado, Connor Sanderson-Doyle, de 32 anos, chamou Philip Young de “monstro repugnante” pelo sofrimento que causou à esposa. Sanderson-Doyle explicou que havia respondido a um anúncio na internet em 2016, acreditando tratar-se de um casal que desejava “realizar uma fantasia”.
Segundo a promotoria, embora os acusados não tenham visto Philip Young aplicar sedativos, “podiam perceber claramente seus efeitos”. Vários casos semelhantes foram levados à Justiça britânica. A conscientização sobre esse tipo de crime aumentou após o julgamento de grande repercussão de Dominique Pelicot na França.
Wed, 04 Nov 2026 18:34:23 GMT
