Futebol também é vítima da crise bancária no Paraguai

A crise bancária no Paraguai também atinge o futebol: o sindicato dos jogadores denuncia salários bloqueados, os atletas da ‘Albirroja’ se declararam vítimas e a Conmebol tem cerca de 13 milhões de dólares (aproximadamente R$ 71,4 milhões na cotação atual) depositados no banco sob intervenção. A crise eclodiu na terça-feira, quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank devido a problemas de solvência.

Dois dias depois, o presidente Santiago Peña apresentou sua renúncia, mas ela não foi aceita pelo Senado, que busca um processo de impeachment contra ele devido ao caso. E o futebol? O esporte não ficou imune a uma crise que afeta metade da população do Paraguai, uma nação de seis milhões de habitantes. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), com sede em Luque, perto de Assunção, tem cerca de 13 milhões de dólares no banco, em um certificado de depósito a prazo fixo, explicou uma fonte da entidade à AFP. O montante representa 2,3% das receitas da entidade que rege o futebol sul-americano em 2025 e “não afeta em nada a operacionalidade da Conmebol”, acrescentou a fonte. Além disso, o Ueno Bank patrocina, desde meados de 2024, a Copa Sul-Americana, organizada pela Conmebol.

O contrato vence em dezembro e não será renovado, afirmou a fonte. “Não há um impacto significativo” para o torneio ou para a final da competição, que será disputada entre Boca Juniors e Atlético-MG no dia 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia, garantiu a fonte.- Patrocinador do futebol local -A situação é diferente para o futebol local, já que o Ueno Bank havia inserido sua marca no cenário do futebol profissional do país. “Há muitos jogadores afetados”, disse o presidente da Futbolistas Asociados del Paraguay, Rogelio Delgado, ao jornal argentino Olé. Em poucos anos, o banco se tornou patrocinador de várias das equipes mais importantes da primeira divisão paraguaia: Olimpia, Cerro Porteño, Guaraní, Sportivo Luqueño e Rubio Ñu. Sua marca chegou, inclusive, a ser incorporada aos nomes de dois estádios emblemáticos: o Defensores del Chaco, propriedade da Associação Paraguaia de Futebol, e La Nueva Olla, do Cerro Porteño. Os jogadores da seleção também se manifestaram.

Eles são idolatrados após classificarem o país para a Copa do Mundo de 2026, encerrando um jejum de 16 anos sem participar do maior evento do futebol. “Nós também fomos vítimas desta situação. Compartilhamos a mesma indignação, preocupação e dor que afetam tantos compatriotas”, afirmaram em um comunicado publicado nas redes sociais do capitão, Gustavo Gómez. “Exigimos com firmeza que o Governo e a justiça ajam de maneira imediata, transparente e sem distinção (…) não é justo, e não vamos permitir, que, por causa das ações de alguns poucos indivíduos desprezíveis, o nome e a reputação de todo o Paraguai sejam manchados”, acrescentou a nota.

Fri, 06 Nov 2026 16:59:36 GMT