Grupos de direitos humanos alertaram nesta terça-feira (11) sobre a escala da repressão iraniana em uma cidade de maioria curda que se tornou um dos epicentros da onda de protestos no país.
A República Islâmica é abalada nas últimas três semanas por manifestações desde a morte da jovem de origem curda Mahsa Amini, presa pela polícia da moral por supostamente violar o rígido código de vestimenta do país.
As mobilizações não parecem vacilar, apesar do uso da força por parte das autoridades que, segundo os ativistas, provocou dezenas de mortos e centenas de detidos.
A repressão tem sido especialmente intensa na cidade de Sanandaj, na província do Curdistão, origem da jovem falecida.
As ONGs temem inúmeras vítimas nessa área e que as autoridades recorram a bombardeios em alguns bairros.
A organização norueguesa Hengaw disse que um avião militar iraniano pousou no aeroporto da cidade durante a noite e forças especiais estavam chegando de ônibus de outras partes do país.
Destacou ainda que a população tinha dificuldade em enviar vídeos do que está acontecendo devido às restrições da internet, mas que um menino de sete anos teria morrido na noite de domingo.
A AFP não conseguiu verificar essas afirmações.
A Anistia Internacional se disse “alarmada com a repressão aos protestos em Sanandaj em meio a relatos de que as forças de segurança usam armas de fogo e gás lacrimogêneo indiscriminadamente, inclusive dentro de casas”.
– Greves no setor do petróleo –
Analistas dizem que esse descontentamento é especialmente desafiador para o regime liderado pelo guia supremo Ali Khamenei por causa de sua duração e sua natureza variada, de protestos de rua a atos individuais, como mulheres removendo seus véus.
Na segunda-feira, a mobilização se expandiu na forma de greves em diferentes refinarias de petróleo no Irã.
Na petroquímica de Asaluyeh (sudoeste), trabalhadores queimaram pneus, bloquearam estradas e gritaram “Morte ao ditador!” ou “Não tenha medo, estamos todos juntos”, segundo vídeos transmitidos.
O governador local, Ali Hashemi, denunciou que um certo número de “oportunistas” se infiltrou no protesto e “incendiou alguns estandes de construção na área e contêineres”, informou a agência de notícias Fars.
“Com a intervenção das forças de segurança, estas pessoas foram dispersadas e algumas foram detidas”, acrescentou.
Os campi universitários também foram palco de protestos, com estudantes se mobilizando na Universidade de Artes e na Universidade de Tecnologia Amir Kabir, em Teerã.
A repressão aos protestos desencadeados pela morte de Amini em 16 de setembro já custou pelo menos 95 vidas, segundo a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega.
Outras 90 pessoas teriam morrido em manifestações que eclodiram a partir de 30 de setembro na cidade de Zahedan, no sudeste do país, depois que o chefe de polícia de Sistão e Baluchistão supostamente estuprou uma adolescente, disse o IRH, citando a organização Baluch Activists Campaign.
A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russel, disse estar “extremamente preocupada com os contínuos relatos de crianças e adolescentes sendo mortos, feridos ou detidos em meio à agitação social no Irã”.
O Reino Unido anunciou na segunda-feira sanções contra a polícia da moral iraniana, a unidade que prendeu Mahsa Amini e é encarregada de aplicar o código de vestimenta estrito para as mulheres.
O Irã convocou o embaixador britânico para protestar contra essas sanções “infundadas”.
