EUA descartam reativação de acordo com Irã 'em futuro próximo'

Os Estados Unidos descartaram nesta quinta-feira (13) uma reativação em curto prazo do acordo nuclear com o Irã, em uma avaliação pessimista das negociações sobre o pacto de 2015, conhecido como JCPOA, paralisadas há algum tempo. 

O histórico JCPOA ficou enfraquecido desde que os Estados Unidos se retiraram do pacto em 2018, no mandato do presidente Donald Trump, e o Irã deixou de cumprir alguns de seus compromissos. 

Negociações pontuais ocorrem desde 2021 para reativar o acordo, que condicionou o alívio às sanções ao Irã a restrições em seu programa nuclear. 

“Não é que não queiramos ver o JCPOA reimplementado, claro que queremos. Só não estamos em uma posição em que… esse seja um resultado provável em um futuro próximo”, disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby. 

“O nosso foco é responsabilizar o regime (iraniano) pelo que estão fazendo com esses inocentes manifestantes políticos”, disse ele. 

Protestos e tumultos ocorreram em toda a República Islâmica desde que Mahsa Amini, de 22 anos, morreu em 16 de setembro depois de ser presa pela polícia moral de Teerã por supostamente violar o estrito código de vestuário para mulheres. 

Em agosto, a União Europeia apresentou um rascunho final de um texto que altera o acordo nuclear, mas os principais pontos de discórdia permanecem entre Teerã, Washington e a ONU. 

Kirby garantiu que o presidente Joe Biden está “comprometido em não permitir que o Irã obtenha armas nucleares”. 

Biden “ainda acredita que avançar diplomaticamente é a melhor maneira de fazer isso”, disse ele.

Mas ele observou que “neste ponto, os iranianos voltaram a fazer exigências irracionais, muitas não relacionadas ao acordo em si”. 

Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanani, disse no início deste mês que o acordo ainda pode ser reativado e que trabalhava para este fim.