O Partido Conservador britânico iniciou nesta sexta-feira (21) uma campanha frenética para definir o sucessor da primeira-ministra demissionária Lizz Truss, com boatos de uma provável tentativa de retorno de Boris Johnson ao poder.
Depois de passar apenas 44 dias no cargo, período marcado por uma crise econômica desencadeada basicamente por suas próprias decisões, a líder conservadora anunciou a renúncia na quinta-feira (20).
Ainda não há nenhum candidato que tenha se lançado abertamente na disputa, mas a possível candidatura do antecessor imediato de Truss, Boris Johnson, está na primeira página de todos os jornais e começa a se fortalecer.
Obrigado a renunciar em julho após uma série de escândalos, o ex-primeiro-ministro tem vários apoios e continua sendo popular nas bases do partido.
O ministro das Empresas, Jacob Rees-Mogg, foi o primeiro membro do atual governo a anunciar seu apoio a Johnson.
Depois, o secretário da Defesa, Ben Wallace, fez o mesmo.
“No momento, eu me inclinaria para Boris Johnson”, disse ele na televisão, embora tenha acrescentado que o ex-premiê ainda tem “algumas perguntas” a responder sobre seu mandato de três anos.
– Processo acelerado –
“BoJo: Eu voltarei”, afirma a manchete do tabloide “The Sun”, em referência a um possível retorno de Johnson.
De acordo com o conservador “Daily Telegraph”, o antecessor de Truss se apresenta como potencial salvador de um desastre eleitoral. Já o “Daily Mail” afirma que Johnson antecipará sua volta das férias no Caribe.
Mas seu retorno não é garantido, e vários parlamentares conservadores afirmaram que renunciarão se Johnson voltar.
Johnson tem outro obstáculo, pois permanece sob investigação do Parlamento para descobrir se mentiu para a Câmara durante o escândalo do “partygate” e corre o risco de ser suspenso de seu mandato como deputado.
Um dos possíveis concorrentes de Johnson é seu ex-ministro das Finanças, Rishi Sunak, que apressou sua saída do poder, ao renunciar ao cargo.
Na disputa com Truss, Sunak foi o finalista e o preferido dos parlamentares conservadores, mas acabou perdendo na votação da base do partido.
Outra possível candidata é a ministra das Relações com o Parlamento, Penny Mordaunt, que ficou em terceiro lugar na corrida em que Truss finalmente venceu.
Quem assume as rédeas do país enfrenta um partido oprimido pelas divisões, com a oposição no topo das pesquisas e uma grave crise econômica, com caos nos mercados e uma inflação que chega ao seu ponto mais alto em décadas.
Outras candidaturas podem incluir representantes da ala mais à direita do partido, como Suella Braverman, cuja renúncia como ministra do Interior na quarta-feira precipitou a queda de Truss.
Os candidatos não têm tempo a perder: precisam obter o apoio de pelo menos 100 parlamentares conservadores até as 14h (10h de Brasília) de segunda-feira (24).
Isto limita a disputa ao máximo de três nomes, porque a Câmara dos Comuns tem apenas 357 conservadores.
Os representantes definirão o líder conservador em duas votações.
A primeira reduzirá a disputa a duas candidaturas, e a segunda servirá como “indicação” aos membros do partido sobre a opção preferida dos deputados.
Então, a menos que os parlamentares apoiem um único nome, serão os filiados do Partido Conservador que definirão a questão em uma votação virtual na próxima semana.
– “Novela” –
O Partido Trabalhista e outras legendas da oposição afirmam que os conservadores estão menosprezando o eleitorado.
O líder trabalhista, Keir Starmer, pediu eleições gerais antecipadas, dois anos antes do previsto, e afirmou que o “Reino Unido “não pode ter outro experimento dos conservadores”.
“Esta não é apenas uma novela no topo do Partido ‘Tory’.
Está provocando um enorme dano à reputação do nosso país” e aos meios de subsistência das pessoas, insistiu, no momento em que o país registra uma inflação de 10%.
Muitos analistas consideram que os vencedores das disputas entre os conservadores serão os trabalhistas, que lideram atualmente as pesquisas de intenção de voto.
“Se você é do Partido Conservador precisa acreditar que chegou ao fundo do poço, e a única direção a partir de agora é para cima”, disse Tim Bale, cientista político da Universidade Queen Mary, de Londres.
Para Bale, o retorno de Johnson “seria a última piada que o Partido Conservador tentou fazer com o país, e o país não vai rir”.
“Temos que sair do buraco em que os conservadores nos colocaram.
Isto provavelmente significa uma mudança de governo”, afirmou à AFP.
O jornal “Daily Mirror”, com tendência de esquerda, foi categórico: “Eleições já”.
