Ucrânia anuncia mais apagões e prepara batalha de Kherson

Cerca de quatro milhões de ucranianos estão sendo afetados pelo racionamento de energia que, nos próximos dias, alcançará um nível “sem precedentes” devido aos bombardeios russos contra a infraestrutura energética do país, indicaram as autoridades de Kiev nesta sexta-feira (28).

A Rússia, por sua vez, anunciou que concluiu a mobilização de 300.000 reservistas decretada no fim de setembro e que 41.000 deles já estão integrados a unidades na Ucrânia.

Assim, Moscou busca recuperar a iniciativa militar no momento em que o exército ucraniano se prepara para uma batalha feroz para reconquistar a província ocupada de Kherson, no sul do país.

“Muitas cidades e distritos de nosso país aplicam cortes [de luz] para estabilizar” a situação, afirmou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em sua mensagem vespertina diária.

“Cerca de quatro milhões de ucranianos estão atualmente enfrentando essas restrições”, acrescentou.

O racionamento aumentará para um nível “sem precedentes” nos próximos dias na província de Kiev, para evitar um “apagão completo”, havia assinalado anteriormente a operadora ucraniana privada DTEK.

Os Estados Unidos anunciaram que proporcionarão um novo pacote de ajuda militar a Kiev, avaliado em aproximadamente 275 milhões de dólares, que incluirá quatro antenas de comunicação por satélite.

“Vemos que a infraestrutura e a rede elétrica da Ucrânia estão sendo atacadas pelos russos e essas antenas oferecem uma capacidade adicional no terreno em um momento crítico”, detalhou a porta-voz do Pentágono, Sabrina Singh.

– Mobilização concluída –

Em Moscou, o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, informou ao presidente russo, Vladimir Putin, que “a tarefa de recrutamento de 300.000 pessoas” havia sido concluída. 

A mobilização, que provocou um êxodo de homens e alguns protestos, foi decretada em 21 de setembro com o objetivo de reverter os reveses sofridos pelas tropas de Moscou na Ucrânia. 

Segundo Shoigu, 82.000 recrutas já estão na Ucrânia e 41.000 estão integrados nas unidades militares. 

Putin, que lançou uma operação na Ucrânia no fim de fevereiro, elogiou os soldados mobilizados e destacou sua “dedicação ao dever” e seu “patriotismo”. 

A Rússia intensificou nas últimas duas semanas os bombardeios contra a infraestrutura de energia da Ucrânia, destruindo ao menos um terço de suas instalações.

Kiev e seus aliados ocidentais acusam a Rússia de usar drones de fabricação iraniana nesses ataques, algo que tanto Moscou como Teerã negam.

Também nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, pediu ao chanceler iraniano que interrompesse “de imediato” a entrega de armas para Moscou.

– A batalha de Kherson –

Os ataques russos acontecem no momento em que Kiev intensifica sua contraofensiva no sul do país. 

Na província de Kherson, as autoridades instaladas por Moscou asseguraram que a retirada de civis da cidade de mesmo nome foi concluída.

Essa operação, que a Ucrânia classifica de “deportação”, busca transformar Kherson em uma “fortaleza” diante da contraofensiva das tropas de Kiev.

“O trabalho de organizar a saída dos moradores […] para regiões seguras na Rússia terminou”, disse Sergei Aksionov, líder da Crimeia, península vizinha de Kherson, anexada por Moscou em 2014.

Um funcionário da ocupação russa de Kherson, Vladimir Saldo, afirmou nesta quarta-feira que ao menos 70.000 moradores conseguiram abandonar suas casas em menos de uma semana. 

A província de Kherson, anexada no mês passado por Moscou, tinha cerca de um milhão habitantes – 288.000 na capital – antes de ser ocupada pelas tropas russas nas primeiras semanas do conflito.

Recuperá-la representaria um claro avanço para a Ucrânia.

O exército ucraniano assegurou nesta sexta-feira que o comando russo em Kherson tratava de “esconder as baixas reais” de suas tropas para “evitar o pânico”. 

O presidente da república russa da Chechênia, Ramzan Kadyrov, cujas forças estão lutando na Ucrânia, assinalou na quinta-feira que 23 de seus soldados morreram no início desta semana em um bombardeio ucraniano nos arredores dessa cidade.

As autoridades ucranianas denunciaram hoje que bombardeios russos danificaram dois edifícios residenciais e uma padaria em Mykolaiv, no sul, deixando um ferido. 

No leste, na província de Donetsk, cinco pessoas morreram e nove ficaram feridas nas últimas 24 horas, especialmente em Bakhmut, que as forças russas tentam conquistar, indicou o governador regional ucraniano, Pavlo Kyrylenko.