Cresce preocupação com a situação do preso político egípcio Alaa Abd el-Fattah

A situação de Alaa Abd el-Fattah, um dos presos políticos mais conhecidos do Egito, que está em greve de fome, gerou preocupação nesta segunda-feira (7), enquanto líderes de todo o mundo estão reunidos na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh para a COP27.

O caso desse ativista pró-democracia britânico-egípcio, de 40 anos, será tratado durante a conferência da ONU sobre o clima, da qual sua irmã, Sanaa Seif, participou, disse o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, que fez alusão a uma “prioridade”.

“Espero ver o presidente Al-Sisi hoje.

Certamente abordará essa questão. É um caso que muitos países, não apenas o Reino Unido, quer que seja resolvido”, declarou Sunak à imprensa à margem da COP27.

Desde o início de abril, El-Fattah ingeria apenas uma xícara de chá e uma colherada de mel por dia. Na terça-feira passada parou totalmente de comer e, no domingo, de ingerir líquidos, coincidindo com a abertura da conferência.

Nesta segunda-feira, três jornalistas egípcias anunciaram que começaram também uma greve de fome para exigir sua libertação.

“Paramos de nos alimentar porque Alaa Abd el-Fattah está em risco de morte”, explicou à AFP Mona Selim, que protagonizou um protesto no sindicato de jornalistas do Cairo junto com Eman Ouf e Rasha Azab. 

As três pedem “a libertação de todos os prisioneiros de consciência”, os quais há mais de 60 mil no Egito, segundo as ONGs.

Os ativistas presentes na COP27 divulgaram várias publicações nas redes sociais com a hashtag #FreeAlaa e muitas personalidades da sociedade civil terminaram suas intervenções com a frase “You have not yet been defeated” (“Você ainda não foi derrotado”), título do livro de El-Fattah, cujo prefácio foi escrito pela jornalista e ativista canadense Naomi Klein.

– “Não resta muito tempo” –

A secretária-geral da Anistia Internacional (AI), Agnès Callamard, insistiu no domingo na necessidade de liberar El-Fattah o quanto antes. “Não resta muito tempo [antes que ele morra], no máximo 72 horas”, afirmou do Cairo.

Em Beirute, uma manifestação em frente à embaixada britânica reuniu cerca de 100 pessoas.

“Alaa é um símbolo no mundo árabe”, disse a jornalista e ativista Diana Moukalled, segurando uma foto do ativista com o lema #FreeAlaa. “Ele encarna a luta do mundo árabe contra os regimes autoritários há 12 anos.”,

Abd El-Fattah, engenheiro de formação e blogueiro pró-democracia, um ferrenho inimigo do regime do presidente Abdel Fattah al-Sisi, foi condenado no final de 2021 a cinco anos de prisão por “divulgação de informações falsas”, após passar a maior parte da década passada atrás das grades.

Ele ficou conhecido durante o movimento sindical Kefaya nos anos 2000.

Também participou da revolução de 2011 que levou à queda de Hosni Mubarak e das marchas contra o Mohamed Morsi e Al-Sisi.

Segundo a AI, desde que o Egito reativou sua comissão de indultos presidenciais em abril, 766 prisioneiros de consciência foram libertados, mas outros 1.540 foram detidos. 

O país norte-africano ocupa a posição 168º de 180 na classificação de liberdade de imprensa de 2022 da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF).