As tropas ucranianas reconquistaram, nesta quarta-feira (11), a cidade de Kherson (sul) e reivindicaram uma “importante vitória” contra a Rússia, que anunciou ter retirado 30.000 homens da região e única capital que havia ocupado em quase nove meses de combates.
“Kherson retorna ao controle da Ucrânia, unidades das forças armadas ucranianas entraram na cidade”, anunciou o Ministério da Defesa ucraniano no Facebook, pedindo que os militares russos que permanecem no local “se rendam imediatamente”.
Para Kiev, essa retomada é uma “vitória importante” e mostra que “não importa o que a Rússia faça, a Ucrânia vencerá” a guerra, disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, no Twitter.
Kuleba divulgou um vídeo que mostra moradores da cidade de Bilozerka, a poucos quilômetros da cidade de Kherson, arrancando um enorme painel que dizia “A Rússia estará aqui para sempre”.
O Parlamento ucraniano publicou no Telegram fotos de civis agitando bandeiras ucranianas em Kherson.
O Ministério da Defesa russo indicou que “mais de 30.000 soldados russos e cerca de 5.000 peças de armas e veículos militares foram retirados” da margem oeste do rio Dnieper, onde fica Kherson, sem qualquer baixa ou perda de material.
Esta é a terceira grande retirada de tropas russas desde o início da invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro. Logo após o início da guerra, a Rússia falhou em sua tentativa de tomar a capital, Kiev, e em setembro teve que abandonar quase toda a região de Kharkiv (nordeste).
A retirada é vista como um grave revés para o presidente russo, Vladimir Putin, que proclamou no final de setembro, durante uma cerimônia com grande pompa no Kremlin, a anexação de quatro regiões ucranianas, incluindo Kherson (sul).
Putin prometeu defender “por todos os meios” o que agora considera territórios russos, ameaçando nas entrelinhas recorrer a armas nucleares.
Mas diante da contraofensiva ucraniana lançada no final do verão, o exército russo anunciou na quarta-feira que estava deixando a parte norte da região de Kherson, incluindo sua capital de mesmo nome, para consolidar posições do outro lado do rio Dnieper.
– “Não pode haver mudança” –
O Kremlin assegurou que, apesar da retirada, a Rússia continua considerando que toda a zona sul pertence ao país.
A região de Kherson “é uma questão da Federação da Rússia”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. “Não pode haver nenhuma mudança”, acrescentou ele, no primeiro comentário da Presidência sobre a retirada anunciada na quarta.
Em setembro, após a retirada russa da região de Kharkiv, Putin ordenou a mobilização de 300.000 reservistas para consolidar as linhas e recuperar a iniciativa no terreno.
Dezenas de milhares de membros desse contingente já estão em zonas de combate.
A agência de notícias russa Ria Novosti divulgou imagens filmadas à noite de veículos militares russos deixando Kherson pela ponte Antonovski sobre o rio Dnieper.
Vários correspondentes russos relataram que a ponte foi destruída mais tarde, sem especificar quem o fez. Imagens publicadas nas redes sociais mostram a infraestrutura destruída.
A Ucrânia reivindicou na quinta-feira a recuperação de uma dúzia de cidades no norte da região de Kherson, na margem direita do rio.
O Estado-Maior ucraniano afirmou na manhã de hoje que sua ofensiva “continua” e que comunicará seus resultados “mais tarde”.
– Resposta cínica –
A Rússia continuou bombardeando outras regiões da Ucrânia.
Seus últimos ataques destruíram grande parte da infraestrutura de energia de seu vizinho, deixando várias partes do país sem eletricidade, incluindo a capital Kiev.
Na noite de quinta-feira, pelo menos sete pessoas morreram em um ataque com mísseis a um prédio residencial na cidade de Mykolaiv, disseram autoridades regionais nesta sexta.
O chefe da administração regional, Vitalii Kim, denunciou no Telegram “uma resposta cínica do Estado terrorista aos nossos sucessos nas linhas de frente”.
Uma jornalista da AFP viu o prédio destruído e equipes de resgate procurando vítimas sob os escombros.
Os combates também continuam na frente leste, especialmente em Bakhmut, cidade que Moscou tenta conquistar há meses, com o apoio do grupo paramilitar Wagner.
Cada vez mais isolado internacionalmente, Putin não participará da cúpula do G20 na Indonésia na próxima semana.
O Kremlin afirmou nesta sexta-feira que sua agenda não permite que ele faça a viagem.
