Pelo menos seis pessoas morreram e 81 ficaram feridas neste domingo (13) em um atentado terrorista em uma das principais vias comerciais de Istambul, o centro econômico da Turquia.
A forte explosão ocorreu por volta das 16h20 locais (10h20 em Brasília), em um momento de grande movimento na avenida Istiklal, um destino popular para muitos turistas e moradores locais.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, denunciou o “atentado vil” que deixou “seis mortos”. “Os autores deste atentado vil serão desmascarados.
Que a nossa população esteja segura de que eles serão castigados”, prometeu.
O último balanço informou que pelo menos seis pessoas morreram e 81 ficaram feridas, duas delas com gravidade.
O vice-presidente turco, Fuat Oktay, acusou “uma mulher” de ter “detonado uma bomba”, em declarações à imprensa, mas não detalhou se trata-se de um atentado suicida.
O ministro da Justiça, Bekir Bozdag, informou que uma “bolsa” foi deixada sobre um banco.
“Uma mulher se sentou em um banco por 40 a 45 minutos e, pouco depois, houve uma explosão.
Todos os dados sobre esta mulher estão sendo analisados”, continuou.
A avenida Istiklal já havia sido palco de ataques no passado, especialmente durante os anos de 2015 e 2016, quando Istambul e outras cidades como Ancara, a capital, sofreram uma série de atentados.
Reivindicados pelo grupo Estado Islâmico, os ataques mataram quase 500 pessoas e deixaram mais de 2.000 feridos.
– ‘Ensurdecedor’ –
A polícia isolou o local para evitar que as pessoas se aproximassem e por temor de uma segunda explosão.
Um enorme aparato das forças de segurança foi mobilizado e bloqueou também o acesso ao bairro e ruas adjacentes.
“Estava a uns 50-55 metros de distância, de repente ouvi um barulho de explosão. Vi três ou quatro pessoas estiradas no chão”, declarou uma testemunha, Cemal Denizci, de 57 anos, à AFP.
“As pessoas correram em pânico. O barulho foi enorme. Havia fumaça preta.
O barulho foi muito forte, quase ensurdecedor”, acrescentou.
A explosão, que provocou chamas, foi ouvida a distância e desencadeou uma onda de pânico, segundo imagens difundidas nas redes sociais.
O prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, se dirigiu ao local do incidente. “Fui informado pelas equipes dos bombeiros em Istiklal. Eles seguem com o trabalho em coordenação com a polícia”, escreveu em uma postagem no Twitter, na qual também ofereceu suas condolências às vítimas e seus familiares.
No bairro vizinho de Galata, muitas lojas fecharam e algumas pessoas chegaram correndo do local da explosão com lágrimas nos olhos, segundo um correspondente da AFP.
– Proibido exibir imagens –
O Conselho Superior de Radiotelevisão (RTÜK, na sigla em turco) proibiu rapidamente que os meios de comunicação exibissem imagens da cena.
O objetivo é “evitar semear o medo, o pânico e a agitação na sociedade e servir aos objetivos de organizações terroristas”, justificou o diretor da comunicação presidencial e conselheiro próximo do presidente Erdogan, Farhettin Altun.
“Todas as instituições e organizações de nosso Estado realizam uma investigação rápida, meticulosa e eficaz sobre o incidente”, prometeu Altun em uma declaração.
A avenida Istiklal, de 1,4 km de extensão e que significa “Independência” em turco, está situada no distrito histórico de Beyoglu.
É uma das ruas exclusivas para pedestres mais famosas da cidade.
Por ela cruza um antigo bonde e há uma infinidade de lojas e restaurantes. Quase 3 milhões de pessoas circulam ali por dia durante o fim de semana.
Em março de 2016, um ataque suicida no mesmo lugar deixou cinco mortos.
O ataque deste domingo, que ocorre sete meses antes de eleições presidenciais e legislativas cruciais, gerou uma onda de condenações e manifestações de solidariedade.
“Nossos pensamentos estão com o povo da Turquia neste momento difícil”, disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.
Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan, da qual a Turquia faz parte, manifestou a sua “solidariedade ao nosso aliado”, tal como a Suécia, candidata à adesão à Aliança Atlântica.
A Casa Branca também manifestou sua solidariedade.
Na Grécia, país com o qual a Turquia mantém relações tensas, o Ministério das Relações Exteriores “condenou inequivocamente o terrorismo e expressou suas sinceras condolências ao governo e ao povo turco”.
