Em um dos confrontos mais simbólicos da Copa do Mundo de 2026, Argentina e Inglaterra disputarão nesta quarta-feira (15), em Atlanta, uma semifinal que condensa quatro décadas de história, rivalidade e lembranças, mas com um prêmio muito mais palpável: enfrentar a Espanha na grande final no domingo. Poucas rivalidades entre seleções acumulam tanta carga emocional. A Guerra das Malvinas de 1982 entre ambos os países e o inesquecível duelo no Mundial do México em 1986, na vitória de 2 a 1 da ‘Albiceleste’ com a ‘Mão de Deus’ e o ‘Gol do Século’ de Diego Maradona, ainda continuam vivos na memória coletiva do futebol.”Não vamos buscar outra coisa.
Vamos jogar contra uma grande seleção (…) é um jogo de futebol, ponto”, afirmou o técnico da Argentina, Lionel Scaloni, que se empenhou em separar passado e presente para esta semifinal. O treinador da Inglaterra, Thomas Tuchel, também se posicionou na mesma linha na terça-feira: “Minha comissão técnica e eu não falamos sobre os acontecimentos históricos. Não falamos sobre os momentos icônicos.
A partida em si já é bastante icônica e a tensão é suficientemente grande”. O jogo no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, também é especial, pois colocará um Lionel Messi aos 39 anos contra a Inglaterra pela primeira vez.”Joguei contra todos, menos contra a Inglaterra, e é especial porque é uma grande seleção, ainda mais em uma semifinal de Copa do Mundo”, disse Messi. O astro argentino vai entrar em campo com o emblemático uniforme azul-escuro – mesma cor usada naquela partida histórica em 1986 -, contando que o próximo destino seja a final de domingo no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e não a disputa pelo terceiro lugar no sábado, em Miami. Messi chega como artilheiro do torneio, empatado com Kylian Mbappé com oito gols, um desempenho que não tem sido suficiente para que a Argentina avance sem sofrer, já que, no mata-mata, mal conseguiu superar Cabo Verde e Suíça na prorrogação e virou de forma dramática contra o Egito. Do outro lado está uma Inglaterra mais efetiva do que brilhante, impulsionada por Harry Kane e Jude Bellingham, que marcaram 12 dos 13 gols ingleses e alimentam a esperança de alcançar a primeira final de Copa desde seu único título de 1966.”São dois grandes jogadores, dos melhores do mundo, que qualquer treinador gostaria de ter.
Vamos tentar neutralizá-los com nossas armas”, disse Scaloni. Por sua vez, Kane afirmou o que significa enfrentar Messi, considerado por muitos o melhor da história. “Sabemos o que ele fez no futebol”, mas “a partida é contra a Argentina, não contra Lionel Messi”, ressaltou o atacante do Bayern de Munique. – Scaloni x Tuchel -A semifinal também coloca frente a frente dois técnicos com estilos diferentes.
Com sua ‘Scaloneta’, o paciente treinador argentino construiu um ciclo baseado na continuidade do grupo campeão do mundo e na recuperação da identidade argentina, cuja qualidade ainda não conseguiu desabrochar por completo no torneio.”Precisamos voltar a jogar com a bola, que é onde sempre fomos fortes, todo o resto nós já temos”, afirmou na terça-feira o treinador que conquistou a Copa do Mundo do Catar em 2022 e duas Copas América. Do outro lado está o metódico Thomas Tuchel, contratado para recolocar a Inglaterra no topo com um estilo muito mais direto e exigente.
O alemão levou os ‘Three Lions’ às semifinais apoiado em Kane e Bellingham, embora sem esconder sua insatisfação com o desempenho coletivo de uma equipe que, em certos momentos, desaparece. Sua franqueza implacável chegou a gerar desentendimentos públicos com Bellingham, mas Kane saiu em defesa de seu treinador: “Acho que é isso que torna o técnico tão especial e tão grande, porque ele não guarda nada, é emocional, fala as coisas como são”. Quatro décadas após a partida que marcou para sempre esta rivalidade, Argentina e Inglaterra voltarão a se encontrar em busca de uma vaga na final da Copa, o maior prêmio que já esteve em jogo entre elas.
Wed, 15 Jul 2026 13:20:58 GMT
