A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou nesta quarta-feira (14) uma ambiciosa iniciativa para reformar o mercado de energia elétrica, a fim de enfrentar o aumento dos preços da energia no bloco.
No discurso sobre o Estado da UE, Von der Leyen argumentou que “além da crise imediata, devemos pensar no futuro. O modelo atual do mercado de eletricidade não faz mais justiça aos consumidores, que deveriam aproveitar os benefícios das energias renováveis de baixo custo”.
Ela defendeu enfaticamente a adoção de um teto para os enormes lucros registrados pelos geradores de energia de baixo custo.
Essas empresas, disse Von der Leyen, estão obtendo lucros com os quais nunca sonharam.
Para ela, “em nossa economia social de mercado, os lucros são bons.
Mas neste momento é equivocado ter lucros extraordinários beneficiados pela guerra (…) Neste momento, os benefícios devem ser distribuídos e canalizados para aqueles que mais precisam”.
De acordo com a presidente da Comissão Europeia, a adoção de um teto para os lucros das empresas geradoras de energia elétrica de baixo custo vai permitir a arrecadação de quase 140 bilhões de euros, que poderão ser utilizados para a redistribuição a residências e empresas vulneráveis.
Reunidos na semana passada em Bruxelas, os ministros europeus da Energia pediram à Comissão que apresentasse um plano concreto em termos de dias para conter a crise energética.
Previamente, a Comissão havia sugerido a adoção de um teto para os preços do gás importado, apesar das divergências entre os países do bloco quanto à eficácia e alcance da medida, em função das necessidades específicas de cada Estado.
Durante a reunião, a primeira-ministra de França, Elisabeth Borne, anunciou que o governo francês vai limitar o aumento previsível dos preços do gás natural e da eletricidade a um máximo de 15% a partir do próximo ano, com limites que serão aplicados aos consumidores domésticos e pequenas empresas.
Por sua vez, a Dinamarca apresentou seu próprio plano no valor equivalente a 6 bilhões de euros para limitar as contas de gás, eletricidade e aquecimento para ajudar as famílias após um aumento de cinco vezes do preço da energia.
Von der Leyen também anunciou a criação de um banco público dedicado ao hidrogênio, com investimentos de quase 3 bilhões de euros.
Também anunciou uma iniciativa para acumular reservas estratégicas para evitar interrupções no fornecimento de matérias-primas cruciais para a indústria do bloco, em particular terras-raras e lítio.
– Apoio à Ucrânia –
A chefe da Comissão Europeia teve como convidada especial a primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska, e homenageou a resistência dos ucranianos à ofensiva iniciada pela Rússia.
“Estou aqui, diante de vocês, com a convicção de que, graças a nossa coragem e nossa solidariedade, (o presidente russo, Vladimir] Putin fracassará e a Europa vencerá”, disse Von der Leyen.
A presidente da Comissão destacou que a solidariedade da Europa com a Ucrânia permanecerá “inabalável” e, portanto, alertou que as sanções contra a Rússia não serão suspensas.
“Quero deixar muito claro que as sanções vieram para ficar.
Este é o momento de mostrar determinação, não apaziguamento”, disse.
Durante o discurso, Von der Leyen anunciou que visitará Kiev, capital da Ucrânia, ainda nesta quarta-feira.
Durante a viagem, ela pretende discutir com o presidente Volodymyr Zelensky a continuidade da ajuda europeia à Ucrânia.
Os ministros europeus da Energia se reunirão em 30 de setembro para examinar o plano de emergência proposto pela Comissão Europeia, mas algumas ideias apresentadas já dividem os países do bloco por suas diferentes situações energéticas.
