Copa do Mundo faz uma pausa antes das semifinais que (quase) todo mundo queria

Quando os cruzamentos das quartas de final da Copa do Mundo de 2026 ficaram definidos, o torcedor neutro sonhava com semifinais que colocassem frente a frente França e Espanha, de um lado, e Argentina e Inglaterra, do outro. E foi exatamente isso que aconteceu. A partir de terça-feira (14), essas quatro seleções disputarão as duas vagas na final, marcada para o próximo domingo (19) no MetLife Stadium, nos arredores de Nova York, enquanto as duas equipes derrotadas terão de se contentar com a disputa pelo terceiro lugar, em Miami, um dia antes.

França, Argentina, Espanha e Inglaterra lideram o ranking mais recente da Fifa, publicado justamente no dia em que o torneio começou, nessa ordem exata. Todas as quatro potências já foram campeãs mundiais. Além disso, essas seleções contam com quatro das maiores estrelas do torneio: Kylian Mbappé (França), Lionel Messi (Argentina), Lamine Yamal (Espanha) e Harry Kane (Inglaterra). Não se pode deixar de mencionar os ‘coadjuvantes’ que desempenham papéis fundamentais no torneio, como Ousmane Dembélé e Michael Olise, pela França; Julián Álvarez e Lautaro Martínez, que salvaram a ‘Albiceleste’ na prorrogação contra a Suíça; Mikel Merino, autor de gols decisivos para ‘La Roja’ contra Portugal e Bélgica, ao lado de Unai Simón e sua sequência recorde sem sofrer gols; e Jude Bellingham, que marcou seis gols, igualando a marca de seu capitão, Kane.- Clássico do futebol europeu -Nos últimos anos, os confrontos entre França e Espanha se tornaram um clássico do futebol europeu e, para muitos, o duelo de terça-feira em Arlington, nos arredores de Dallas, será uma final antecipada. É apropriado que a partida, que coloca frente a frente o segundo melhor ataque do torneio e a defesa mais sólida da competição, aconteça na casa do Dallas Cowboys (da NFL). Com um quarteto ofensivo poderoso formado por Mbappé, Dembélé, Olise e — dependendo do jogo — Désiré Doué ou Bradley Barcola, a França marcou 16 gols.

Isso representa uma média superior a 2,5 gols por partida, ficando a apenas um gol da marca da Argentina. Mbappé lidera a artilharia com oito gols, empatado com Messi na disputa pela Chuteira de Ouro, e conta com o apoio de Dembélé, candidato à Bola de Ouro, que marcou cinco vezes. A Espanha marcou cinco gols a menos, mas sofreu apenas um, na última partida, contra a Bélgica. O goleiro Unai Simón estabeleceu um recorde em Copas do Mundo ao ficar 650 minutos sem sofrer gols, contando com o auxílio de uma dupla de zaga que é, ao mesmo tempo, complementar e confiável (Aymeric Laporte e Pau Cubarsí), além de dois laterais (Pedro Porro e Marc Cucurella) igualmente eficientes na defesa e no ataque.

Esta será a oitava vez que as duas seleções vizinhas se enfrentarão em competições oficiais nas últimas duas décadas.- Polêmica por declarações “racistas” de ex-presidente espanhol -Embora ‘La Roja’ não tenha vencido a França em jogos oficiais até a Eurocopa de 2012, torneio que seria vencido pela própria Espanha, a seleção espanhola superou sua vizinha nos dois confrontos mais recentes. No entanto, as tensões ultrapassaram a esfera esportiva na preparação para este duelo, após uma coluna escrita pelo ex-primeiro-ministro Mariano Rajoy, do conservador Partido Popular, para o veículo digital ‘El Debate’. Nela, ele observou que os ‘Bleus’ possuem “um elenco do mais alto nível, mas sem franceses”. O comentário provocou indignação na França, onde vários ministros e líderes de partidos políticos condenaram o “racismo” e o “ódio” presentes no artigo. A Embaixada da França em Madri reagiu ressaltando que “todos os jogadores da seleção francesa são franceses.

Dos 26 jogadores, 23 nasceram na França. Os três nascidos no exterior também são franceses”. O atual primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, do Partido Socialista, também reagiu na plataforma X, criticando duramente seu antecessor: “A Espanha pertence àqueles que a amam e trabalham por ela. Não àqueles que a envergonham com declarações xenofóbicas. França, nos vemos nas semifinais.

Que vença o melhor time e que o racismo perca”. Há também conotações políticas alimentadas pela Guerra das Malvinas, de 1982, e pela rivalidade entre Argentina e Inglaterra, que atingiu seu auge em 1986.- Rivalidade alimentada pela política -O dia 22 de junho marcou o 40º aniversário do dia em que Diego Maradona deixou de ser apenas um jogador de futebol para se tornar uma lenda, ao marcar dois gols contra a Inglaterra nas quartas de final, o primeiro com a ‘Mano de Dios’ e o segundo, o ‘Gol do Século’, uma arrancada individual iniciada em seu próprio campo, tudo isso enquanto as memórias da Guerra das Malvinas ainda estavam vivas e apenas uma semana antes de a ‘Albiceleste’ conquistar o bicampeonato mundial. Também não se pode esquecer o confronto das oitavas de final de 1998, vencido pela Argentina nos pênaltis após uma partida marcada pela expulsão de David Beckham, por dar um chute em Diego Simeone, revidando uma entrada dura de ‘El Cholo’. Nesta Copa do Mundo de 2026, a Argentina tem vivido momentos de grande dramaticidade.

Venceu dois jogos de mata-mata (contra Cabo Verde e, no sábado, Suíça) na prorrogação, o que significa que chega a esta fase decisiva do torneio com mais minutos acumulados nas pernas do que suas rivais. França e Espanha, por exemplo, superaram seus jogos de mata-mata com diferentes níveis de dificuldade, mas ainda no tempo regulamentar. A Inglaterra, por outro lado, também precisou da prorrogação no sábado para eliminar a Noruega, graças a dois gols de Bellingham.

Independentemente do resultado, as duas semifinais prometem ser confrontos emocionantes.

Sun, 12 Jul 2026 22:51:41 GMT