Coreia do Norte afirma que nova relatora da ONU é 'marionete dos EUA'

A Coreia do Norte acusou nesta sexta-feira a nova relatora de direitos humanos da ONU para aquele país de ser “uma marionete dos Estados Unidos” e de ter feito “comentários imprudentes e imperdoáveis” contra o regime, no mesmo dia em que as Nações Unidas denunciaram um aumento da repressão na nação asiática devido à pandemia.

A crítica norte-coreana coincide com a visita a Seul da relatora Elizabeth Salmón, peruana, em sua primeira viagem desde que assumiu o cargo, no mês passado. 

Desde a sua chegada, no começo da semana, Elizabeth, professora de direito internacional, teve reuniões com autoridades sul-coreanas e membros de grupos civis para discutir a situação na Coreia do Norte. 

“Já deixamos clara nossa posição de princípio de não reconhecer ou lidar com qualquer ‘relator especial’ que nada mais é do que uma marionete dos Estados Unidos”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte em comunicado em inglês à agência oficial KCNA. 

O porta-voz não identificado garantiu que as atividades da relatora eram um disfarce para a campanha de difamação dos EUA e acusou Elizabeth de ter feito “comentários imprudentes e imperdoáveis que invadem” seu sistema e seus direitos soberanos. 

“A ONU não deve mais permitir que seu nome e missão sejam usados indevidamente para a política hostil dos Estados Unidos em relação à RPDC”, disse o porta-voz na sigla oficial do país. 

Em nota divulgada nesta sexta-feira, Elizabeth disse que está “plenamente ciente de que o governo da RPDC se opõe aos mandatos específicos de direitos humanos de cada país, incluindo o meu”. 

“No entanto, isso não significa que não devemos tentar”, acrescentou, esperando que Pyongyang reconsiderasse sua posição. 

“Não devemos desistir do compromisso com a RPDC porque o que está em jogo são as vidas do povo norte-coreano e seus direitos humanos”, acrescentou.

Nesta mesma sexta-feira, o chefe da ONU lamentou que as violações dos direitos humanos tenham aumentado na Coreia do Norte devido às medidas contra a Covid-19, em um relatório que pede que seja estudada a possibilidade de remeter o caso ao Tribunal Penal Internacional.

“O fechamento das fronteiras do país e as restrições à liberdade de circulação e à interação social (…) permitiram às autoridades limitar ainda mais a circulação de informações e ideias entre a população”, escreveu Antonio Guterres na avaliação semanal divulgada nesta semana.

Ele também afirma que existem “motivos razoáveis para acreditar que o Estado obriga com cada vez mais frequência a população a realizar trabalhos forçados não remunerados”.

As Nações Unidas estabeleceram a figura de um relator especial de direitos humanos para a Coreia do Norte em 2004, em face da crescente preocupação internacional sobre alegações de violações de direitos no regime.

Desde então, nenhum dos relatores teve acesso ao país.