A Coreia do Norte disparou nesta terça-feira (4) um míssil balístico que sobrevoou o Japão, o que levou este país a ativar seu sistema de alerta e a recomendar que a população procurasse abrigo.
A última vez que Pyongyang disparou um míssil sobre o Japão foi em 2017, em meio ao aumento das tensões entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, condenaram conjuntamente o teste “nos termos mais fortes”.
Ambos os líderes afirmaram que o lançamento era “um perigo para o povo japonês, desestabilizando a região e uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas”.
Biden também reiterou o “forte compromisso dos Estados Unidos com a defesa do Japão”.
O Exército sul-coreano informou ter detectado “um míssil balístico suspeito de alcance intermediário que foi lançado da área de Mupyong-ri, na província de Jagang, por volta das 7h23 (19h23 de segunda-feira em Brasília), e passou sobre o Japão na direção leste”.
Em um comunicado posterior, as Forças Armadas da Coreia do Sul relataram que o míssil voou 4.500 quilômetros, o que representa um novo recorde para os testes norte-coreanos.
O presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, denunciou o míssil norte-coreano como uma “provocação” que viola as resoluções da ONU e defendeu uma “resposta firme”.
Em resposta, as Forças Aéreas sul-coreana e americana executaram uma simulação de bombardeio de precisão com aviões F-15K, de Seul, e F-16, de Washington.
Os caças sul-coreanos “lançaram duas bombas conjuntas de ataque direto contra um alvo virtual no Mar Amarelo”, informou o Estado-Maior Conjunto de Seul.
No mesmo dia, oito aviões militares japoneses e quatro americanos fizeram exercícios ao oeste da região japonesa de Kyushu.
– Alerta no Japão –
O Japão ativou um alerta de evacuação em duas regiões para que seus habitantes se refugiassem dentro de prédios, ou no subsolo.
Fumio Kishida classificou o lançamento como “um ato de violência”, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, disse que é uma “agressão injustificada”.
A diplomacia dos Estados Unidos classificou o teste como “imprudente e perigoso”, considerando-o “uma ameaça inaceitável” à população japonesa.
O ministro da Defesa do Japão, Yasukazu Hamada, afirmou que é provável que o míssil fosse do tipo Hwasong 12.
Nesta terça, o secretário-geral da ONU, António Guterres, engrossou o coro de condenações do lançamento norte-coreano.
“Isso é, claramente, uma escalada”, disse seu porta-voz, Stephane Dujarric, em um comunicado, acrescentando que Guterres também pediu às autoridades da Coreia do Norte que retomem o diálogo em direção a uma “desnuclearização completa e verificável da península coreana”.
– “Escalada significativa” –
Com as negociações entre Washington e Seul paralisadas há tempo, Kim redobrou seus esforços para modernizar o arsenal da energia nuclear e implantou um número recorde de testes de armas.
Na semana passada, Pyongyang disparou até quatro mísseis balísticos de curto alcance, incluindo um poucas horas após a visita da vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, a Seul.
Em paralelo, Seul, Tóquio e Washington intensificaram seus exercícios militares conjuntos.
O lançamento mais recente envia uma mensagem para os Estados Unidos, disse à AFP Park Won-gon, professor de Estudos Norte-Coreanos na Universidade Ewha, de Seul.
“Os mísseis, capazes de transportar ogivas nucleares, colocam a Coreia do Sul, Japão e Guam dentro de seu alcance” e mostram que Pyongyang pode atacar bases americanas com armas atômicas, se uma guerra começar na península coreana, disse Park.
Há alguns dias, Seul e Washington realizaram exercícios navais em larga escala na península e planejam, para sexta-feira (7), manobras submarinas com o Japão.
Serão as primeiras em cinco anos.
Os exercícios incomodam a Coreia do Norte, que os considera ensaios para uma eventual invasão.
“Se Pyongyang disparar um míssil sobre o Japão, isso significará uma escalada significativa em suas recentes provocações”, disse Leif-Eric Easley, professor da Universidade Ewha.
Washington e Seul vêm alertando há meses que o país comunista está preparando um novo teste de uma arma nuclear.
Segundo eles, isso pode acontecer logo após o Congresso do Partido Comunista da China, em 16 de outubro.
Alvo de várias sanções da ONU por seus programas de armas, a Coreia do Norte busca, em geral, maximizar o impacto geopolítico de seus testes em momentos propícios.
