Dirigentes da Fifa aumentam pressão sobre Infantino

Vários dirigentes da Fifa, incluindo o respeitado técnico Arsène Wenger e o secretário-geral Mattias Grafstrom, se distanciaram do presidente Gianni Infantino e do polêmico projeto malsucedido de abertura da entidade a investidores privados, com a reeleição do ítalo-suíço ainda em aberto.”A decisão de retirar o projeto era absolutamente necessária e incontestável”, declarou Wenger em um comunicado nesta terça-feira (4).

Desde 2019, ele atua como diretor de desenvolvimento do futebol mundial. O ex-treinador do Arsenal referia-se à polêmica proposta de criar a empresa Fifa Forward Entreprise (FFE), com a qual Infantino esperava arrecadar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,3 bilhões, na cotação atual) com a venda de 20% das ações a investidores privados, e uma avaliação da FFE em US$ 20 bilhões (R$ 101,4 bilhões).  Este plano, anunciado há uma semana, gerou uma onda de críticas contra Infantino e foi rejeitado por três confederações, obrigando o presidente a recuar de forma definitiva no sábado.  “Acredito firmemente em uma Fifa independente que serve ao nosso jogo com compromisso, transparência e integridade”, acrescentou Wenger, explicando não ter tido envolvimento no projeto, do qual tomou conhecimento “por meio da imprensa”.

O dirigente francês não é o único na Fifa a se distanciar do plano e de Infantino. Em um e-mail interno enviado a funcionários da entidade máxima do futebol, ao qual a AFP teve acesso, o secretário-geral da instituição, Mattias Grafstrom, lamentou uma “triste e repreensível série de eventos”, que “felizmente terminou com o abandono permanente” do projeto. “Indivíduos, momentos instáveis e episódios infelizes vêm e vão.

A instituição, sua missão e sua responsabilidade com o futebol mundial continuam”, concluiu o suíço de 45 anos, secretário-geral da Fifa desde 2024. Na sexta-feira, o americano Carlos Cordeiro, principal assessor de Infantino, renunciou ao cargo, afirmando sua oposição “categórica” ao projeto, que considerava “ruim para o futuro de longo prazo” do futebol. A oposição dentro da entidade soma-se à já forte pressão externa, liderada pela Uefa e apoiada pela Concacaf, a Confederação da América do Norte, Central e Caribe.- Uefa analisa medidas judiciais -Na semana passada, a Concacaf pediu uma “revisão completa” da liderança de Infantino, enquanto a Uefa afirmou ter “perdido a confiança” no presidente. Em uma carta enviada à Fifa na sexta-feira, consultada pela AFP, a União das Associações Europeias de Futebol “notifica oficialmente que planeja de forma ativa iniciar uma ação judicial”.

Com esse objetivo, a entidade europeia pediu para “identificar, localizar e preservar todos os documentos e informações armazenadas eletronicamente” sobre a FFE, para evitar que sejam destruídos elementos que prejudiquem um processo judicial. O descontentamento também aumentou em relação à Copa do Mundo de Clubes, realizada pela primeira vez em 2025 com 32 equipes, um desejo de Infantino.

A próxima edição, prevista para 2029, pode estar ameaçada, visto que ainda não há qualquer acordo entre a Fifa e os clubes participantes, afirmou um dirigente à AFP. Este mesmo responsável indicou que o sentimento europeu é de que é necessário “uma mudança estrutural” na governança da entidade que rege o futebol mundial.- Denúncia de “chantagem” -Fora da Europa, o príncipe Ali bin Al-Hussein, presidente da Associação de Futebol da Jordânia, acusou Infantino de “chantagem” nesta terça-feira.

Candidato derrotado nas eleições à presidência da Fifa em 2016, Al-Hussein apontou os problemas de visto enfrentados por torcedores que pretendiam viajar aos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026, as taxas impostas pelo governo americano e o não pagamento de bônus aos jogadores durante a Copa Árabe organizada pela Fifa em dezembro do ano passado no Catar”Durante meses, a Fifa se negou a nos ajudar com essas e outras questões, até que me disseram verbalmente, durante a Copa do Mundo, que se eu apoiasse Infantino, isso ajudaria muito a nossa federação”, escreveu em publicação no X.”Toda essa situação se assemelha a uma chantagem, e nos recusamos a ceder”, concluiu Al-Hussein.

Apesar das pressões, Infantino é o único candidato à presidência da Fifa nas eleições previstas para março de 2027. Ele precisará do apoio de 106 das 211 federações-membro da entidade para um novo e último mandato de quatro anos. Até agora, quatro federações, todas europeias (Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia), retiraram seu apoio a ele.

Tue, 04 Aug 2026 22:41:20 GMT