“A França é um aliado vital dos Estados Unidos”, afirmou a vice-presidente Kamala Harris ao dar boas-vindas, nesta quarta-feira (30), a Emmanuel Macron, no início de uma visita de Estado que deveria carimbar a reconciliação e, talvez, aliviar a tensão em torno do protecionismo americano.
Em tom cordial, Harris recebeu o presidente francês na sede da Nasa para elogiar a cooperação “baseada em princípios democráticos e valores compartilhados”.
Macron, por sua vez, avaliou que esses “valores democráticos compartilhados” também devem ser aplicados no espaço, que classificou de “novo lugar de conflito internacional”.
O chefe de Estado francês, que passará três dias no país, convidou os Estados Unidos a trabalharem junto com a França para estabelecer “novas regras” na conquista e na exploração espacial.
Junto do líder francês estavam os astronautas Sophie Adenot e Thomas Pesquet.
Este último é candidato a embarcar em um dos foguetes que os Estados Unidos pretendem enviar para a Lua, como parte do ambicioso projeto Artemis.
Depois da Nasa, Macron manterá reuniões sobre o meio ambiente com congressistas e sobre energia nuclear civil com membros do setor.
– Mudança de Ambiente –
O chefe de Estado também conversará com membros da comunidade francesa, após uma cerimônia no Cemitério Nacional de Arlington.
Ao final do dia, Emmanuel e Brigitte Macron se reúnem com o casal Joe e Jill Biden para um jantar íntimo, antes das cerimônias oficiais marcadas para a quinta-feira, na Casa Branca.
“EUA!
Um momento para celebrar a amizade entre nossos dois países. Um momento para progredirmos juntos em um período de grandes desafios”, tuitou Macron em inglês, logo após sua chegada, na noite de terça-feira.
Assim como fez seu antecessor republicano, Donald Trump, em 2018, o presidente democrata, de 80 anos, escolheu seu colega francês, de 44, para a primeira visita de Estado de seu mandato.
“A França é, literalmente, um dos fios que tecem nossa nação”, disse a jornalistas franceses John Kirby, porta-voz do Executivo americano, elogiando a “liderança”, “experiência” e “sabedoria” de Macron.
Algo muito diferente do clima de um ano atrás.
Em setembro de 2021, os Estados Unidos anunciaram uma nova aliança, AUKUS, com Austrália e Reino Unido, irritando a França.
Além de ser mantida à margem em uma região-chave do mundo, Paris perdeu, para os EUA, um bilionário contrato de venda de submarinos assinado com Camberra.
Desde então, Washington vem tomando medidas para apaziguar seu aliado.
“O nível de cooperação, sua profundidade, é bastante notório, considerando-se como as coisas estavam há mais ou menos um ano”, disse Kirby, chamando-o de aliança “orientada para o futuro”.
– ‘Isenções’ –
O futuro é a transição energética, a concorrência com a China, a retomada industrial… O presidente americano encara esses desafios com um patriotismo econômico que irrita Paris.
Biden embarcou em um programa de gastos faraônico, o Inflation Reduction Act (“Lei de Redução da Inflação”), sob o lema “made in USA” (“fabricado nos EUA”) que prevê, entre outras medidas, generosos subsídios ao setor de veículos elétricos – um tema sobre o qual Macron e seu anfitrião certamente falarão na reunião no Salão Oval nesta quinta-feira.
A França considera esta lei “protecionista” e espera obter “isenções” para algumas indústrias europeias.
A Casa Branca não pretende, contudo, anunciar isenções de imediato, preferindo falar de um plano em que todos os lados saiam ganhando e que, em última análise, também beneficiaria a economia europeia.
A Presidência francesa gostaria que os europeus reagissem, adotando uma arma comercial similar, como um “Buy European Act”.
Os dois presidentes também aproveitarão a oportunidade para expressar unidade em relação à Ucrânia, comprometendo-se a continuar apoiando Kiev no que for necessário.
Ambos consideram que as negociações com Moscou podem ocorrer somente quando o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, julgar apropriado.
Enquanto isso, Kirby manifestou a simpatia do governo americano para com os esforços, às vezes polêmicos, de Macron para manter o diálogo com seu homólogo russo, Vladimir Putin.
“Achamos que é algo bom”, afirmou o porta-voz. “Acolhemos com satisfação a capacidade do presidente Macron” de manter “a comunicação com o presidente Putin”, completou Kirby.
