A Copa do Mundo de 2026 começou nesta quinta-feira (11) no México com uma cerimônia de abertura que teve como atração principal a cantora colombiana Shakira, distante dos protestos de diversos grupos que prometiam o caos para impulsionar suas reivindicações. O pontapé inicial foi dado no Estádio Azteca diante de quase 81 mil pessoas que compareceram para acompanhar o duelo entre México e África do Sul, que abre a maior Copa da história, com 48 seleções e 104 jogos.
Os torcedores começaram a chegar seis horas antes, devido à previsão de bloqueios nos acessos ao estádio, que estavam cercados por centenas de militares e policiais com equipamento tático, incluindo esquadrões a cavalo. A Fan Fest na praça Zócalo finalmente foi inaugurada, mas as barreiras metálicas instaladas para protegê-la desde a semana passada foram parcialmente removidas e impediram o acesso tranquilo dos torcedores.
Consequência: caos e empurra-empurra.”Levamos uma hora para entrar, foi um caos, e sair foi ainda pior”, disse Víctor Gómez, de 49 anos, à AFP. Ele e sua companheira, Miriam Corona, decidiram não assistir ao jogo no estádio. “Pode haver até mortos. Lá dentro, não dá nem para andar, nem ver nada, só conseguimos ver a última telinha”.- Sem a presença de Sheinbaum -A presidente do México, Claudia Sheinbaum, não compareceu ao Azteca, como previsto, nem à Fan Fest.
Ela publicou na rede social X uma foto na qual apareceu em um centro esportivo em uma área popular da capital, vestindo a camisa da seleção de seu país. Sheinbaum deu seu ingresso a uma jovem jogadora. O maior evento de futebol do planeta será organizado pela primeira vez por três países: Estados Unidos, Canadá e México, que já recebeu o torneio em 1970 e 1986. A Copa do Mundo chega precedida de polêmicas: o alto preço dos ingressos, a recusa de vistos para entrar nos Estados Unidos e a guerra no Oriente Médio, que levou o Irã a transferir sua base de treinamento do Arizona para Tijuana.
A partir de agora, a bola tentará assumir o protagonismo para definir quem poderá destronar a Argentina de Lionel Messi, que busca defender o título conquistado no Catar, em 2022.- Confiança na seleção anfitriã -O tenor italiano Andrea Bocelli interpretou o hino oficial da Copa do Mundo, intitulado ‘DNA’, uma mistura de ópera com música eletrônica, antes do pontapé inicial. E ‘Dai Dai’, de Shakira, ecoou no Azteca no início de uma breve cerimônia de abertura.
A cantora colombiana interpretou a música da Copa do Mundo ao lado do astro nigeriano do afrobeat Burna Boy. A cerimônia de 15 minutos começou com uma saudação de “Boas-vindas ao México” em uma apresentação coreografada com personagens caracterizados como Moctezuma, recebendo os povos de todo o mundo, e mulheres em trajes tradicionais da cultura mexicana. O show se desenrolou em uma lona que cobria todo o campo do Estádio Azteca, palco do jogo de abertura pela terceira vez na história do torneio, depois de 1970 e 1986, que está lotado com seus quase 81 mil assentos ocupados.
O México é o país com maior torcida entre os três coorganizadores, e seu Estádio Azteca é uma “catedral do futebol”, “abençoada pelos deuses” deste esporte, nas palavras do presidente da Fifa, Gianni Infantino, na quarta-feira. Mas, nesta edição, o país não vive a mesma paixão de seus dois mundiais anteriores. Em vez de festejar, elas optaram por aproveitar a atenção midiática para ecoar suas reivindicações. “Boicote à Copa do Mundo Fifa 2026!”, dizia uma enorme faixa no caminho para o Estádio Azteca, onde, há 40 anos, Diego Maradona marcou seu polêmico gol com “a mão de Deus” nas quartas de final entre Argentina e Inglaterra (2 a 1).- “Distração” -Enquanto a cerimônia de abertura acontecia, manifestações de diversos grupos sociais, principalmente familiares de desaparecidos e professores em greve, ocorriam em diferentes partes da zona sul da Cidade do México.
Os ativistas começaram a se reunir logo cedo com a intenção de se aproximarem do Estádio Azteca, mas no caminho encontraram forte presença policial que os manteve afastados do local, sem, contudo, impedir a chegada dos torcedores. Professores do ensino fundamental e médio vêm há mais de uma semana reivindicando melhorias salariais e de aposentadoria. Eles rejeitaram a proposta mais recente do governo em uma reunião na noite de quarta-feira.”Esta partida é uma distração, só serve à Fifa, à Claudia Sheinbaum e aos Estados Unidos”, afirmou um professor grevista, sob condição de anonimato.
Sheinbaum qualificou o protesto de “provocação” para que haja imagens de repressão durante a Copa. E assegurou que não cairá na armadilha. Além das manifestações, o problema dos vistos para entrada nos Estados Unidos também impacta o primeiro dia do torneio. O Comitê Nacional de Torcedores da Costa do Marfim (CNSE, na sigla em francês) denunciou nesta quinta-feira que a seleção não poderá contar com a presença de seus torcedores na Copa do Mundo, uma vez que não conseguiram obter vistos americanos.”Os Estados Unidos foram claros conosco ao dizer que não queriam ver nossos torcedores”, lamentou o presidente do organismo, Julien Kouadio Adonis.
Thu, 11 Jun 2026 19:48:33 GMT
