Pai de Lionel Messi morre aos 68 anos

O pai e agente do astro argentino Lionel Messi, Jorge Messi, morreu neste sábado (8), aos 68 anos, em Rosario, sua cidade natal, ao norte de Buenos Aires. O pai do capitão da seleção argentina faleceu às 02h00 do horário local (e de Brasília), informou em comunicado o Sanatório Centro, esclarecendo que, “por respeito à privacidade da família, não serão fornecidos mais detalhes sobre as circunstâncias médicas do falecimento”.

Lionel Messi chegará à Argentina entre as 20h e as 21h locais para se despedir de seu pai. O sepultamento ocorrerá no domingo no cemitério particular El Prado, na localidade de Pérez, vizinha a Rosario, em uma cerimônia íntima, informou uma fonte administrativa local à AFP. Jorge Messi foi uma figura fundamental em toda a carreira do filho. Foi seu primeiro treinador nos ‘potreros’, como são conhecidos os terrenos baldios transformados em campos precários, e seu único companheiro no início de sua trajetória em Barcelona, antes de se tornar seu representante e negociar contratos astronômicos.

Também era a pessoa com quem o astro escolhia discutir seu desempenho após cada partida: “Meu velho me ajudou muito. Ele é muito crítico comigo. Isso fez com que eu sempre quisesse me superar”, disse o ídolo argentino em entrevista à DirecTV Sports em 2022.- Mundo se solidariza -A morte de Jorge Messi provocou uma onda de mensagens de condolências no mundo do futebol. O Barcelona, onde Lionel construiu grande parte de sua lenda, expressou seu pesar e agradeceu ao pai por confiar ao clube “o início e os anos de auge” da carreira de seu filho.

O Inter Miami, seu clube desde meados de 2023, escreveu no X: “Nosso coração está com o nosso capitão, Leo, e toda a sua família”. Já o Paris Saint-Germain, seu time anterior, manifestou “todo o seu apoio a Leo, à sua família e aos seus entes queridos neste momento difícil”. A liga norte-americana (MLS) também expressou suas condolências: “Sua devoção à família e seu apoio ao longo da trajetória extraordinária de Lionel serão sempre lembrados”.

A seleção argentina, com a qual Lionel Messi conquistou a Copa do Mundo de 2022 e disputou as finais de 2014 e 2026, também se despediu do pai de seu capitão. “Muita força, Leo Messi e família. Estamos com vocês neste momento difícil”, manifestou a Albiceleste. A Associação de Futebol Argentino (AFA) anunciou que será realizado um minuto de silêncio em homenagem a ele em todas as partidas da liga local neste fim de semana. Embora estivesse previsto que jogasse neste sábado pelo Inter Miami contra o Monterrey, pela Leagues Cup, Lionel Messi deve viajar para Rosario durante a tarde (horário da Argentina), segundo informações da imprensa local. A situação delicada de saúde de Jorge Messi se tornou pública depois que o camisa 10 chorou após marcar o primeiro de seus três gols na vitória por 3 a 0 sobre a Argélia, na estreia da ‘Albiceleste’ na Copa do Mundo da América do Norte de 2026. “Foi uma questão alheia ao esporte.

Passei por dias difíceis e complicados”, disse o ídolo argentino aos jornalistas na ocasião.- Companheiros de vida -Jorge Messi, nascido em 1958, era um metalúrgico apaixonado por futebol que treinava as categorias de base do clube de bairro Grandoli, em Rosario, onde ele treinou pela primeira vez seu filho Lionel Messi, que na época tinha quatro anos. “Lembro do Jorge como um cara muito simples, mais um entre todos os pais que vinham ver aquela categoria”, disse à AFP Adrián Coria, que treinou Lionel Messi no Newell’s Old Boys de Rosario.

Tempos depois, Coria viajaria a Barcelona para integrar a comissão técnica do treinador Gerardo Martino e, ao chegar, encontrou Jorge e Lionel no aeroporto. “Eles vieram, me abraçaram e me parabenizaram pela posição que eu havia alcançado (…) ele não tinha mudado nada”. A vida de Jorge mudou drasticamente no ano 2000, quando se mudou para a Espanha para que o então pequeno Lionel, aos 13 anos, pudesse integrar o Barcelona e dar continuidade ao tratamento para a deficiência do hormônio do crescimento.

Jorge deixou seu emprego estável na Argentina para enfrentar esse desafio ao lado de Lionel, longe do restante da família, um período difícil que forjou a personalidade do camisa 10 e fortaleceu a união entre os dois. “Eu me trancava no quarto para chorar sozinho quando chegamos a Barcelona. Meu pai fazia o mesmo, sem que eu visse ou achando que eu não estava vendo. Fingíamos que estava tudo bem, mas não estava”, contou Messi em uma entrevista, aos 20 anos. “Meu pai chegou a me perguntar o que eu queria fazer quando as coisas estavam difíceis, se queria continuar ou voltar.

Eu quis continuar, e ele ficou comigo”, disse ele na ocasião. Jorge acabou conseguindo fechar o primeiro contrato com o Barcelona e, desde então, acompanhou o filho também como representante e negociador durante toda a sua trajetória no clube catalão, assim como no Paris Saint-Germain e no Inter Miami. De perfil discreto, Jorge Messi quase não deu entrevistas ao longo da vida, mas, nas poucas vezes em que falou, deixou claro que a união com o filho era inabalável: “No dia em que o Leo parar de jogar, acho que uma ilusão vai cair por terra e não vou mais acompanhar o futebol”, disse à revista Kicker em 2013.

Sat, 08 Aug 2026 21:43:53 GMT