Países europeus pedem investigação da ONU sobre drones iranianos na Ucrânia

França, Grã-Bretanha e Alemanha pediram nesta sexta-feira, em carta às Nações Unidas, uma “investigação imparcial” sobre os drones iranianos que o Ocidente aponta que a Rússia usa na guerra na Ucrânia.

“Receberíamos com satisfação uma investigação da equipe do Secretariado das Nações Unidas encarregada de supervisionar a aplicação da Resolução 2231 do Conselho de Segurança das Nações Unidas”, aprovada por consenso em 2015.

Segundo essa resolução, todo comércio com o Irã, sujeito a sanções internacionais por seu programa nuclear, “tem que ser aprovado pelo Conselho de Segurança”.

Segundo os signatários, há “evidências significativas” de que a Rússia mobiliza drones das séries Mohajer e Shahed, que têm raio de ação de mais de 300 km.

A série Mohajer é fabricada pela Iranian Qods Aviation, que, por sua vez, é objeto de sanções sob essa resolução. “Qualquer transação financeira com essa entidade representaria outra violação da Resolução.”

Esses veículos aéreos não tripulados “estão sendo utilizados pela Rússia em sua guerra de agressão contra a Ucrânia em ataques à infraestrutura civil e a cidades em todo o país, causando a morte de inocentes”, afirmaram.

Em reunião do Conselho de Segurança nesta tarde, convocada pelo México e pela França para discutir a situação na Ucrânia, o embaixador francês Nicolas de la Rivière pediu ao Irã que “cesse todo o apoio à Rússia”.

Além disso,”condenou “a cumplicidade” de Belarus, de onde são lançados “mísseis e drones” contra a vizinha Ucrânia.

“A Rússia ultrapassou um novo limite” ao destruir a infraestrutura civil, principalmente de energia, assinalou o embaixador, lembrando que o regime russo “está sozinho e condenado em massa pela comunidade internacional”.

O enviado russo ante a ONU, Vassily Nebenzia, chamou as acusações de “outra notícia falsa sobre os supostos fornecimentos à Rússia”.

A União Europeia e o Reino Unido aprovaram ontem novas sanções contra indivíduos e entidades iranianos envolvidos na transferência e produção de drones usados pelas tropas russas na Ucrânia.

Além disso, fontes sugerem que o Irã pretende transferir mais drones e, potencialmente, mísseis balísticos para a Rússia, o que seria uma “nova violação da Resolução 2231 e representaria uma escalada significativa”, afirmam os signatários da carta.