A polícia alemã investigava neste domingo (9) um ato de “sabotagem” que interrompeu no sábado o tráfego ferroviário por horas, com algumas autoridades sugerindo que a Rússia poderia estar por trás do incidente.
Segundo o jornal Bild, que afirma ter tido acesso a um primeiro relatório da Polícia Judiciária Nacional, “a sabotagem de origem estatal pode ser pelo menos uma possibilidade”.
O fato de a sabotagem ter ocorrido paralelamente em dois locais distintos da rede – no oeste e no leste do país, distantes 540 km – reforça essa hipótese, segundo o documento policial citado pelo Bild.
O jornal também aponta para a “proximidade” dos recentes vazamentos nos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 no Mar Báltico.
No caso da Alemanha, a “sabotagem de cabos” da rede de comunicação causou uma interrupção de três horas no tráfego no norte do país no sábado, segundo a empresa alemã Deutsche Bahn.
Anton Hofreiter, membro do partido ambientalista alemão, que faz parte da coalizão governamental do chanceler Olaf Scholz, pediu o desbloqueio de 20 bilhões de euros para proteger melhor as infraestruturas estratégicas e fortalecer a polícia e a segurança informática do país.
Segundo alguns meios de comunicação alemães, os investigadores estão convencidos de que a sabotagem de sábado foi realizada por profissionais que tinham informações internas sobre a empresa alemã.
“Está claro que foi uma ação deliberada e direcionada”, disse o ministro dos Transportes, Volker Wissing.
Tampouco está excluído um ato de um grupo violento de extrema esquerda.
A seção da polícia de Berlim encarregada de investigar atos que ameaçam o Estado, como ataques ou casos de espionagem, assumiu a investigação.
Hofreiter comentou que a hipótese de um ataque russo também deveria ser considerada. “Não podemos excluir que a Rússia esteja por trás do ataque à empresa ferroviária”.
Segundo o político, os vazamentos recentes dos gasodutos Nord Stream trazem “a marca do Kremlin”.
Ambos os gasodutos conectam os campos de gás russos com a Alemanha através do Mar Báltico.
A estatal russa Gazprom suspendeu recentemente suas entregas de gás alegando problemas técnicos.
Mas para Berlim, é uma forma de pressionar a Alemanha por seu apoio à Ucrânia, que a Rússia invadiu em 24 de fevereiro.
“Talvez em ambos os casos tenham sido advertências porque apoiamos a Ucrânia”, acrescentou o presidente da Comissão de Assuntos Europeus da Câmara dos Deputados.
Mas até agora, a polícia alemã não mencionou nenhuma pista concreta.
Um alto oficial do exército alemão emitiu um alerta neste domingo.
“Todo transformador elétrico, toda usina, toda tubulação de energia é um alvo em potencial”, alertou o general Carsten Breuer no jornal Bild, falando de crescentes “ameaças híbridas”.
Por sua vez, a oposição conservadora considerou ser necessário “repensar a arquitetura de segurança da Alemanha e da União Europeia”.
