Os resultados finais das eleições de meio de mandato ainda eram aguardados nesta quinta-feira (10) nos Estados Unidos, onde Joe Biden comemorou que os democratas tenham frustrado as previsões de uma derrota esmagadora, mas as atenções já parecem se voltar para as eleições presidenciais de 2024.
Com 209 assentos até agora, os republicanos parecem se aproximar de uma pequena maioria na Câmara dos Deputados de 435 assentos, mas o controle do Senado pode ser decidido em um segundo turno no início de dezembro no estado da Geórgia, no sul.
Nesta quinta, Biden comemorou o que vê como um sucesso para seu Partido Democrata, que conseguiu conter uma vitória esmagadora dos republicanos, em um clima econômico tempestuoso.
“Durante meses e meses, todos vocês ouviram da imprensa e dos especialistas que os democratas enfrentariam um desastre… uma gigantesca onda vermelha”, disse ele, em referência à cor do Partido Republicano. “Amigos, isso não aconteceu.”
“A opinião pública americana deixou claro: esperam que os republicanos trabalhem comigo”, afirmou o presidente.
Biden, que já é o presidente mais velho da história dos Estados Unidos, insistiu que planeja concorrer a um segundo mandato em novembro de 2024, apesar dos pedidos de alguns membros do partido para que ele se afaste e entregue as rédeas a uma nova geração de líderes.
Ele prometeu uma decisão final “no início do próximo ano”.
Uma derrota acachapante nas urnas certamente levantaria questões sobre se Biden deveria concorrer novamente.
Em vez disso, o presidente se saiu melhor do que seus dois antecessores democratas, Barack Obama e Bill Clinton, que levaram uma surra em suas primeiras eleições de meio de mandato.
Trump, de 76 anos, prometeu um “grande anúncio” na Flórida na terça-feira, que deve ser o lançamento de sua campanha oficial para a indicação presidencial republicana de 2024.
A entrada antecipada do ex-presidente na corrida parece ter sido projetada para evitar possíveis acusações no tribunal pela gestão indevida de documentos ultrassecretos da Casa Branca, pela tentativa de anular a eleição de 2020 e pelo ataque de 6 de janeiro ao Capitólio por seus apoiadores.
Trump também pode ter a intenção de minar seu principal adversário em potencial para a indicação presidencial republicana, o governador da Flórida Ron DeSantis, que emergiu como um dos maiores vencedores nas eleições de meio de mandato de terça-feira, quando foi reeleito.
“A intenção (de Trump) é solidificar seu apoio cedo e eliminar outros candidatos em potencial”, disse Jon Rogowski, professor de ciência política da Universidade de Chicago.
– “Ron De-Sanctimonious” –
DeSantis, 44 de anos, advogado formado em Harvard e Yale, obteve uma vitória de quase 20 pontos sobre seu oponente democrata na disputa pelo governo da Flórida e conquistou uma série de vitórias republicanas em outras eleições na Flórida.
“Não só vencemos a eleição, como reescrevemos o mapa político”, disse DeSantis. “Ainda temos muito a fazer e eu só estou começando a lutar.”
Embora DeSantis tenha emergido como o principal rival de Trump para a indicação republicana, o ex-presidente continua dominando as pesquisas quando os republicanos são questionados sobre quem eles querem que representem o partido na corrida à Casa Branca em 2024.
No entanto, é possível que Trump tenha perdido o apoio do poderoso império midiático do bilionário conservador Rupert Murdoch.
O Wall Street Journal, carro-chefe da News Corp de Murdoch, declarou em um editorial nesta quinta-feira que “Trump é o maior perdedor do Partido Republicano”.
O jornal culpa o ex-presidente pelo fracasso dos republicanos, ao mesmo tempo em que considera DeSantis o futuro do partido.
É claro que Trump tem o governador da Flórida, um ex-aliado, na mira: o magnata se refere a DeSantis com o apelido pejorativo “Ron De-Sanctimonious”, fazendo um jogo de palavras com seu sobrenome e a palavra “sanctimonius”, que significa hipócrita em inglês; e menospreza sua vitória eleitoral.
“Não deveriam lembrar que em 2020 eu obtive 1,1 milhão de votos a mais na Flórida do que Ron D obteve este ano, 5,7 milhões a 4,6 milhões?”, questionou Trump em sua plataforma Truth Social. “É só uma pergunta”.
Questionado na quarta-feira sobre a rivalidade entre Trump e DeSantis, o presidente Biden se limitou a dizer que “será divertido ver como eles se enfrentam”.
No Senado, o democrata John Fetterman derrotou o candidato apoiado por Trump, Mehmet Oz, para conquistar a vaga na Pensilvânia após uma das lutas mais acirradas das eleições de meio de mandato.
A composição final do Senado agora depende de três assentos: Arizona e Nevada, onde a contagem de votos pode levar vários dias, e Geórgia, onde haverá um segundo turno em 6 de dezembro entre o democrata em fim de mandato Raphael Warnock e o ex-astro do futebol americano Herschel Walker.
Mesmo com uma pequena maioria na Câmara dos Representantes, os republicanos terão poder de supervisão significativo e prometeram usá-lo para iniciar investigações sobre Biden e seus aliados.
