Revogação da suspensão de Balogun gera indignação e preocupação na Europa

A decisão da Fifa de revogar a suspensão de um jogo imposta ao atacante americano Folarin Balogun provocou uma onda de indignação no mundo do futebol e na esfera política, após a intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no caso. – Uefa faz duras críticas -A confederação europeia de futebol criticou duramente a medida nesta segunda-feira (6), ao considerar que a Fifa cruzou “uma linha vermelha”.”O futebol, assim como qualquer outro esporte, é baseado em regras que constituem o fundamento de uma competição justa, honesta e transparente.

Às vezes, as regras estão sujeitas a interpretações. Esse não é, de forma alguma, o caso aqui”, reagiu a Uefa em comunicado.”Quando a segurança jurídica das regras deixa de ser garantida por quem deve zelar por elas, a integridade do esporte fica em risco e a credibilidade da competição é prejudicada. Além disso, tal decisão abre um precedente para o torneio em curso, no qual situações semelhantes deverão agora ser tratadas de forma idêntica, em detrimento da competição”, acrescenta nota da confederação. – Sepp Blatter: “Onde você está indo, Fifa?” -Sepp Blatter, que foi presidente da Fifa por 17 anos até ser obrigado a renunciar em 2015 após vários escândalos, criticou seu sucessor, Gianni Infantino, e questionou os rumos da instituição que rege o futebol mundial.”Se um presidente dos Estados Unidos intervém com o presidente da Fifa e um jogador é subitamente absolvido antes de um jogo eliminatório de Copa do Mundo, a questão é inevitável: Onde você está indo, Fifa?”. – União Europeia também critica -O comissário de Esportes da União Europeia, Glen Micallef, se pronunciou nesta segunda-feira e declarou que as decisões esportivas “cabem às instituições esportivas, não aos políticos”.”Exercer uma influência sobre decisões esportivas comprometeria a autonomia do esporte”, alertou o membro do executivo europeu responsável pelos assuntos esportivos em uma publicação no X. – “Precedente político perigoso” -O novo presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Giovanni Malagò, descreveu a situação como “absurda” na emissora Rai Radio 1 e expressou preocupação com o precedente que esse caso poderia abrir.”É inútil procurar desculpas, essa decisão tem um claro viés político.

O New York Times também escreveu isso. Objetivamente, é um precedente extremamente perigoso, um precedente político extremamente perigoso”, avaliou Malagò. – Medida “incompreensível” para a Bélgica -Na Bélgica, país que enfrentará os Estados Unidos nas oitavas de final e o mais prejudicado pela liberação de Balogun, as primeiras reações políticas surgiram no domingo, horas após o anúncio da Fifa.

O ministro das Relações Exteriores, Maxime Prévot, se uniu ao coro de indignação nesta segunda-feira, descrevendo a medida como “incompreensível”.”Se um telefonema é, de fato, o que explica essa decisão incompreensível, isso constituiria uma violação das regras mais básicas do futebol e do esporte”, declarou Prévot em comunicado divulgado por sua assessoria de comunicação.”Seria algo muito grave.

Como a Fifa poderia defender o jogo limpo com credibilidade?”, questionou o ministro. – Política fora do campo de jogo -Também houve críticas vindas da Alemanha. A secretária de Estado de Esportes, Christiane Schenderlein, disse à AFP que “a política não tem lugar no campo de jogo”.”As decisões de arbitragem dependem do esporte”, acrescentou Schenderlein, afirmando que “o governo alemão respeita a autonomia do esporte”. 

Mon, 06 Jul 2026 17:38:52 GMT