A Rússia anunciou nesta sexta-feira (18) que iniciou obras para fortalecer a península anexada da Crimeia após a retirada de seus soldados da região ucraniana vizinha de Kherson, diante da contraofensiva de Kiev.
“Trabalhos de fortificação estão acontecendo no território da Crimeia, sob meu controle, com o objetivo de garantir a segurança de todos os cidadãos da Crimeia”, anunciou nas redes sociais Serguei Aksionov, o governador designado por Moscou para a região após a anexação da península ucraniana em 2014.
Ele destacou, no entanto, que a segurança da Crimeia passa “principalmente por medidas que devem ser aplicadas no território da região de Kherson”, sul da Ucrânia, próxima da península.
O anúncio acontece depois que as tropas russas protagonizaram na semana passada uma retirada humilhante da região de Kherson, sem conseguir conter a contraofensiva dos soldados ucranianos.
A retirada dos militares russos, que abandonaram a capital regional homônima de Kherson, permitiu às forças de Kiev aproximar suas tropas da Crimeia, que foi alvo de vários ataques nos últimos meses.
Em outubro, a ponte da Crimeia, que liga a península ao território russo, foi parcialmente destruída em um ataque atribuído à Ucrânia por Moscou, que citou um caminhão-bomba.
Também houve outros ataques nesta península, contra a frota russa em Sebastopol e contra várias infraestruturas militares russas, pelos quais a Ucrânia é acusada.
Desde sua anexação em 2014, a Rússia considera que a Crimeia é parte de seu território, uma pretensão que não é reconhecida pela comunidade internacional.
A Ucrânia afirma que deseja recuperar a península.
– Linha de trem Kiev-Kherson –
Desde a retirada das tropas russas de Kherson há uma semana, Kiev denunciou “atrocidades”, incluindo inúmeros casos de tortura, cometidos pelo Exército russo durante seus oito meses de ocupação.
Segundo o alto funcionário da Presidência ucraniana, Kyrylo Tymoshenko, que visitou a região, “os russos não só mataram e minaram, também roubaram as nossas cidades”, denunciou.
“Não sobrou nada!”, acrescentou.
A empresa ferroviária ucraniana anunciou nesta sexta-feira a reabertura da linha ferroviária entre a capital Kiev e essa cidade estratégica do sul do país.
“A primeira viagem acontecerá hoje (sexta-feira) às 22h14 (17h14 em Brasília) da capital e chegará amanhã por volta das 09h00 (04h00 em Brasília) em Kherson”, disse um funcionário local, Sergei Khlan, no Facebook, acrescentando que “cerca de 200 passageiros (…) viajarão a bordo” do trem.
A reabertura da linha é simbólica até o momento, uma vez que os ingressos para os próximos dias ainda não estão à venda.
“Por enquanto será um único trem.
Depois veremos se pode se tornar uma linha regular” na rede ferroviária ucraniana, disse à AFP uma porta-voz da companhia ferroviária.
– Cortes de luz –
Desde outubro, a Rússia realizou repetidos bombardeios contra infraestruturas energéticas na Ucrânia, deixando muitas cidades do país sem eletricidade e água.
“Mais de 10 milhões de ucranianos estão sem energia elétrica”, disse o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, na quinta-feira.
Os últimos ataques, ocorridos na quinta-feira, coincidem com a primeira nevasca no país, e as autoridades de Kiev alertam para dias “difíceis” pela frente.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que os ataques visaram infraestruturas militares e energéticas e que todos os alvos foram destruídos.
Entre eles estavam, segundo o ministério, uma fábrica de mísseis e um depósito de armas “fornecidos por países ocidentais”.
O Exército russo afirmou ter conquistado a cidade de Opytne, na região de Donetsk, no leste da Ucrânia.
O número de mortos em um bombardeio russo na quinta-feira na cidade de Vilnyansk, na região de Zaporizhzhia (centro-leste), subiu de sete para 10, incluindo duas crianças, segundo a Promotoria ucraniana.
