Seis palestinos morreram e 20 ficaram feridos nesta terça-feira (25) em várias operações das forças de Israel na Cisjordânia ocupada, em particular em Nablus, contra a sede de um grupo de combatentes envolvidos em ataques recentes.
O ministério da Saúde palestino informou que cinco pessoas morreram e 20 ficaram feridas antes do amanhecer em Nablus, grande cidade do norte da Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967.
Um sexto palestino morreu depois de ser atingido por um tiro no peito na localidade de Nabi Saleh, ao norte de Ramallah.
O exército de Israel afirmou que “detectou um suspeito que lançava com um artefato explosivo” na direção dos soldados, que abriram fogo.
O exército isrealense confirmou em um comunicado que efetuou uma ampla operação em conjunto com a polícia na área antiga de Nablus contra “o quartel-general e uma unidade de fabricação de armas” do novo movimento de combatentes palestinos chamado “Cova dos Leões” (Aren al Usud, em árabe).
Na operação, “vários suspeitos armados foram atingidos por tiros das forças israelenses”, afirma a nota. “Dezenas de palestinos queimaram pneus e atiraram pedras contra os soldados, que responderam com tiros”.
O primeiro-ministro israelense, Yair Lapid, declarou à rádio pública Kan que um dos líderes do grupo palestino, Wadih al Houh, morreu nas operações.
“Eles precisam saber que os encontraremos onde estiverem.
Israel nunca vai parar de agir por sua segurança e faremos o que precisa ser feito”, disse. “O objetivo é reduzir o terrorismo e garantir que não atinja os cidadãos israelenses”.
“A rendição é o caminho da humilhação (…) É o momento para que leões saiam de sua cova”, afirmou no Telegram o grupo “Cova dos Leões”, que tem mais de 210.000 integrantes e é muito popular entre os jovens palestinos.
Milhares de pessoas compareceram em Nablus aos funerais dos palestinos, incluindo combatentes armados.
O presidente palestino Mahmud Abbas denunciou a operação israelense em Nablus como um “crime de guerra”, afirmou seu porta-voz Nabil Abu Rudeinah em um comunicado.
A violência aumentou nos últimos meses no norte da Cisjordânia, onde as operações israelenses foram intensificadas desde março em Nablus e Jenin, redutos de grupos armados palestinos que executaram ataques mortais contra Israel.
As operações, muitas vezes marcadas por confrontos com a população palestina, deixaram mais de 100 mortos entre os palestinos, o maior balanço de vítimas fatais na Cisjordânia em quase sete anos, segundo a ONU.
– “Crimes de guerra” –
Nas últimas semanas aumentou o protagonismo do grupo “Cova dos Leões”, que recebeu este nome em homenagem a Ibrahim al Nabulsi, jovem combatente que era chamado de “Leão de Nablus” e morreu no início de agosto em uma operação das tropas israelenses.
Formado por jovens combatentes palestinos, alguns deles vinculados a movimentos como Fatah, Hamas e Jihad Islâmica, o grupo começou a executar ataques contra Israel a partir de Nablus.
O grupo reivindicou o ataque que matou um soldado israelense há duas semanas na Cisjordânia.
Em resposta, o exército de Israel reforçou a presença e em Nablus e estabeleceu postos de controle nas entradas e saídas da cidade.
Também vigia a região com drones.
A Jihad Islâmica palestina afirmou em um comunicado que seus combatentes estavam envolvidos em confrontos violentos com as forças israelenses em Nablus e ameaçou o Estado hebreu de “represálias contra os crimes”.
O grupo islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza, advertiu que “os crimes da ocupação israelense” podem “empurrar a Palestina para uma escalada”.
Ao mesmo tempo, a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional pediu nesta terça-feira que o Tribunal Penal Internacional (TPI) investigue possíveis “crimes de guerra” cometidos em agosto pelas tropas de Israel e militantes palestinos durante combates sangrentos em Gaza.
