Turquia ameaça lançar operação terrestre na Síria

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou nesta segunda-feira (21) lançar uma “operação terrestre” na Síria, um dia depois que vários bombardeios foram realizados contra posições curdas na Síria e no Iraque e vários foguetes foram disparados contra a Turquia a partir do território sírio.

“Não se trata desta operação se limitar apenas a uma operação aérea”, declarou o chefe de Estado aos jornalistas turcos que o acompanharam na viagem de retorno do Catar, onde assistiu à cerimônia de abertura da Copa do Mundo.

“As unidades competentes, nosso Ministério da Defesa e nosso Estado-Maior decidirão juntos sobre a potência com a qual nossas forças terrestres” devem agir, afirmou o presidente, que indicou que os órgãos estão realizando “consultas” sobre esta questão.

“Já avisamos: quem nos incomodar em nosso território vai pagar por isso”, insistiu.

Os comentários de Erdogan chegam depois que um foguete da Síria atingiu a cidade fronteiriça turca de Karamis nesta segunda-feira, deixando dois mortos e seis feridos, de acordo com o governador regional.

O ataque ocorre um dia depois que a Turquia lançou uma série de ataques a bases de grupos curdos na fronteira com a Síria e o Iraque, de onde Ancara diz que ataques “terroristas” foram lançados, referindo-se ao ataque de Istambul em 13 de novembro.

Pelo menos 37 pessoas foram mortas e 70 ficaram feridas nos ataques aéreos turcos, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), com sede no Reino Unido, que tem uma extensa rede de fontes na Síria.

As Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pelos Estados Unidos e lideradas pelos curdos, foram um dos alvos dos bombardeios e informaram à AFP que a Turquia retomou os ataques nesta segunda-feira.

Milhares de pessoas se reuniram hoje para enterrar 11 pessoas que morreram na cidade de Al Malikiya, no nordeste da Síria, durante um bombardeio.

“Pedimos ao mundo e a todos aqueles que se preocupam com os direitos humanos” que impeçam os ataques da Turquia “com aviões e drones”, suplicou Chaaban, de 58 anos.

A tensão, no entanto, continua alta entre as autoridades turcas e as regiões curdas do norte da Síria, depois que lançamentos de mísseis de território sírio nesta segunda-feira deixaram duas mortes e quase 30 feridos.

Centenas de pessoas se manifestaram em Istambul e Ancara contra o bombardeio do exército turco no norte da Síria e no Iraque.

Nestes protestos, organizados pelo partido pró-curdo HDP, havia dezenas de detidos, segundo os jornalistas da AFP.

– “70 aviões e drones” –

A ofensiva turca, apelidada de “Operação Garra-Espada”, ocorre na sequência da explosão recente no centro de Istambul, na qual morreram seis pessoas e 81 ficaram feridas. 

A Turquia culpa o PKK pelo ataque, o mais mortal em cinco anos e que trouxe lembranças dolorosas de uma onda de atentados no país entre 2015 e 2017 que foram atribuídos principalmente a militantes curdos e extremistas do grupo Estado Islâmico. 

Mas nenhum indivíduo ou grupo reivindicou a responsabilidade e tanto o PKK quanto as YPG – as Unidades de Proteção Popular, vistas por Ancara como uma extensão do PKK – negam qualquer envolvimento no ataque.

Os bombardeios turcos também tiveram como alvo as bases do PKK nas regiões de Kandil, Asos e Hakurk no norte do Iraque e as bases das YPG em Kobane, Tal Rifaat, Jazira e Derik na Síria, de acordo com o Ministério da Defesa turco. 

Erdogan indicou nesta segunda-feira que “consultas” estavam em andamento com o objetivo de intensificar a resposta militar. 

Na operação de domingo, foram usados “70 aviões e drones”, que entraram “140 quilômetros no norte do Iraque e 20 quilômetros no norte da Síria”, disse ele.

O líder afirmou que não manteve “nenhuma conversa” com o presidente americano Joe Biden ou com seu homólogo russo Vladimir Putin sobre essa operação.