Turquia prende mulher síria e acusa PKK curdo de atentado em Istambul

A Turquia acusou, nesta segunda-feira (14), uma mulher de nacionalidade síria de ter colocado a bomba do atentado que deixou seis mortos no domingo em Istambul e que, segundo a polícia, agiu sob ordens do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que nega as acusações.

“A pessoa que colocou a bomba foi presa”, declarou pouco antes o ministro turco do Interior, Suleyman Soylu. “Segundo nossas descobertas, a organização terrorista PKK é responsável pelo atentado”, acusou.

No entanto, o PKK negou nesta segunda-feira qualquer participação no ataque. 

“Não temos relação com este evento, não atacamos civis e rejeitamos ações que o façam”, disse a agência de notícias ANF, próxima ao PKK, em nota.

Os combatentes sírios curdos, apoiados pelos EUA e acusados por Ancara, também negaram participação no ataque.

“Garantimos que nossas forças não têm ligação com a explosão em Istambul e rejeitamos as acusações contra elas”, disse Mazlum Abdi, comandante-chefe das Forças Democráticas da Síria (FDS), em um tuíte.

A mulher presa, apresentada como Alham Albashir, teria entrado clandestinamente na Turquia passando por Afrin, cidade do nordeste da Síria controlada por soldados turcos e sírios.

A polícia afirmou que ela recebeu ordens na cidade de Kobane, também no nordeste da Síria e sob controle de movimentos curdos, aliados do PKK. Segundo a mídia turca, a jovem teria 23 anos.

Segundo o ministro turco, 46 suspeitos foram detidos, alguns deles no mesmo lugar que a mulher.

O artefato explosivo era composto de “TNT de alta potência”, segundo a polícia, que afirma ter encontrado no apartamento, localizado em Kucukcekmece, nos arredores de Istambul, uma grande quantia de dinheiro em euros e peças de ouro em uma bolsa, assim como uma pistola e cartuchos. 

O ataque, cometido no meio da tarde de domingo na avenida comercial de Istiklal, não foi reivindicado.

Causou seis mortes e 81 feridos, dos quais cerca de 24 ainda estavam hospitalizados nesta segunda-feira. 

Entre os mortos, todos turcos, estão uma menina de 9 anos que morreu com o pai e uma adolescente de 15 anos que morreu com a mãe.

– “Em um banco” –

Segundo o ministro da Justiça, Bekir Bozdag, uma “mulher sentou-se em um banco por 40 ou 45 minutos, e um ou dois minutos depois houve uma explosão”. 

A imprensa turca divulgou uma imagem de uma câmera de vigilância na avenida Istiklal, que mostra uma jovem com calça camuflada e um véu preto atravessando a multidão, e que foi designada como quem plantou a bomba.

O ministro do Interior acusou as forças curdas do YPG, as Unidades de Proteção Popular, que controlam a maior parte do nordeste da Síria, de serem as responsáveis pelo ataque.

“Acreditamos que a ordem do ataque foi dada em Kobane”, afirmou.

Ancara considera o YPG e o PKK como “grupos terroristas”.

Mas os dois grupos negam energicamente a participação no atentado.

Nesta segunda-feira, a Turquia rejeitou as condolências dos Estados Unidos pelo atendado, alegando que Washington “apoia os terroristas de Kobane”.

A cidade de Kobane ganhou notoriedade pela batalha de 2015 que permitiu que as forças curdas apoiadas pelos EUA repelissem o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

A movimentada avenida Istiklal, fechada parcialmente no domingo, foi reaberta nesta segunda-feira pela manhã.

Mas todos os bancos foram retirados, observou a AFP. 

Um tapete vermelho cobria o local da explosão e transeuntes depositavam cravos vermelhos. 

As vítimas foram enterradas nesta segunda-feira.

O PKK é considerado uma organização terrorista por Turquia, Estados Unidos e União Europeia, e mantém uma luta armada contra o governo turco desde os anos 1980. Ancara o acusou no passado de ser responsável por ataques sangrentos em território turco.

O PKK está no centro da disputa entre Suécia e Turquia, que desde maio bloqueia sua entrada na Otan, acusando-a de ser muito tolerante com o grupo.