Últimas horas na Escócia do caixão Elizabeth II antes da viagem para Londres

O caixão com o corpo de Elizabeth II passa nesta terça-feira (13) as últimas horas na Escócia, região que ela tanto amava, antes de ser transportado para Londres, enquanto seu filho Charles III prepara seu reinado como uma visita à Irlanda do Norte.

Dezenas de milhares de pessoas passaram desde segunda-feira pela capela em que se encontra o caixão na catedral de Saint Giles de Edimburgo, capital escocesa, para homenagear a monarca britânica mais longeva, que teve um reinado de 70 anos.

Gavin Hamilton, de Edimburgo, ficou na fila por mais de cinco horas e só conseguiu entrar na catedral às 2H50.

E milhares de pessoas continuavam na fila.

“Na fila havia pessoas que vieram de Aberdeen, a quase 100 milhas (160 quilômetros)”, disse.

O caixão estava coberto pelo estandarte real e a coroa da rainha da Escócia. O cortejo fúnebre pelas ruas de Edimburgo na segunda-feira foi acompanhado a pé pelos quatro filhos da rainha: o novo rei, Charles III, de 73 anos, a princesa Anne, 72, Andrew, duque de York, 62, e Edward duque de Wessex, 58.

Elizabeth II faleceu na quinta-feira (8) aos 96 anos em sua residência de Balmoral, na região das Highlands escocesas.

O caixão da monarca sairá durante a tarde da catedral de Edimburgo rumo ao aeroporto para o traslado até Londres, com a presença de sua filha Anne. 

Durante a noite permanecerá no ‘Bow Room’ do Palácio de Buckingham, ao lado da família, e na quarta-feira será levado para o Westminster Hall, a ala mais antiga da sede do Parlamento britânico.

Centenas de milhares de pessoas devem passar pelo local para prestar homenagem à rainha.

O governo alertou que as pessoas podem ser obrigadas a passar várias horas na fila antes de se aproximar do caixão.

“Levem isto em consideração antes de decidir sobre comparecer ou trazer crianças”, advertiu Downing Street.

Desde segunda-feira, várias pessoas já aguardavam diante do Parlamento, 48 horas antes da abertura do local para o público, prevista para quarta-feira às 17H00 (13H00 de Brasília). 

“Eu disse a minhas filhas que definitivamente vou apresentar meus respeitos presencialmente.

Estou feliz de estar na fila, não importa o tamanho”, disse Vanessa Nanthakumaran, uma das primeiras pessoas na fila.

No domingo está previsto um minuto de silêncio às 20H00 (16H00 de Brasília).

– Charles III percorre o país –

Paralelamente, Charles III prossegue com sua viagem institucional pelas quatro “nações” do Reino Unido – Escócia, Gales, Irlanda do Norte e Inglaterra.

Nesta terça-feira, ele chegou a Belfast para reuniões com líderes políticos da Irlanda do Norte.

Se a rainha gozava de respeito de amplos setores em todas as regiões, Charles III tem o desafio de manter as costuras do reino após o Brexit.

A decisão de deixar a União Europeia foi percebida como inglesa e estimulou o sentimento anti-Londres entre os separatistas escoceses, galeses e norte-irlandeses.

“Reconheço que ela foi uma líder corajosa e graciosa”, disse na segunda-feira Michelle O’Neill, vice-presidente do Sinn Fein, que pode assumir o cargo de primeira-ministra da Irlanda do Norte.

“Em um mundo turbulento e de mudança incessante, Sua Majestade foi a nossa constante, a âncora de nossa nação”, afirmou a chefe de Governo da Escócia, a independentista Nicola Sturgeon, que deseja organizar outro referendo de independência após a votação organizada em 2014 e que teve a vitória do “Não”.

A visita à Irlanda do Norte é uma etapa muito significativa na viagem do novo rei porque a região está em paz há mais de duas décadas, mas o conflito entre protestantes leais à Coroa e católicos partidários da união com a Irlanda continua provocando tensões.

Charles III não poderá ter uma reunião com o chefe de Governo regional porque as divergências entre os representantes políticos das duas comunidades impedem a designação de uma pessoa para ocupar o cargo desde as eleições de maio.

Porém, ele terá um encontro com representantes políticos da região no castelo de Hillsborough, ao sul de Belfast, e comparecerá a uma cerimônia religiosa anglicana em memória da rainha, que incluirá a presença de representantes republicanos, que se uniram aos elogios à monarca, deixando de lado as divergências históricas.