O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, pediu nesta segunda-feira (24) uma “paz real e duradoura” este ano, na presença de vários líderes estrangeiros aliados que viajaram a Kiev para reafirmar o apoio à Ucrânia por ocasião do terceiro aniversário da invasão russa. A Rússia, que ocupa 20% do território ucraniano, afirmou que está disposta a negociar sobre a guerra, mas que só deixará de combater quando um acordo de paz lhe “convier”, acusando a Europa de querer prolongar as hostilidades.
A invasão russa da Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro de 2022 sob a ordem do presidente Vladimir Putin, provocou a pior catástrofe na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, causando dezenas de milhares de mortos, milhões de refugiados e a destruição de cidades inteiras.”Este ano deve ser o do início de uma paz real e duradoura”, declarou Zelensky em uma cúpula em Kiev com cerca de vinte líderes estrangeiros, entre eles a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez.
O presidente ucraniano exortou a “conquistar a paz por meio da força, da sabedoria e da unidade”. Von der Leyen advertiu que, apesar de ter iniciado diálogos com os Estados Unidos sobre como encerrar o conflito, o objetivo de Putin “continua sendo a capitulação da Ucrânia”. Esta é a “crise mais central e transcendental para o futuro da Europa”, declarou na cúpula, onde anunciou uma nova ajuda de 3,5 bilhões de euros (R$ 20,9 bilhões) para a Ucrânia.- Acordo que “convenha” à Rússia -O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, alertou de Ancara, na Turquia, que Moscou continuará as hostilidades até que as negociações “alcancem um resultado firme e duradouro que convenha à Rússia”.
Moscou exige principalmente que Kiev ceda cinco províncias total ou parcialmente ocupadas e que renuncie a ingressar na Otan. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, apoiou o par ucraniano, afirmando nesta segunda-feira que a Ucrânia deve “absolutamente” ser incluída nos diálogos com a Rússia e que ambas as partes devem estar representadas “de maneira justa”. Enquanto os líderes de países aliados da Ucrânia se reuniam para manifestar o apoio e aplaudir a resistência de Kiev, a ausência notável dos Estados Unidos chamou a atenção no encontro.
O presidente Donald Trump alinhou-se com a postura russa, responsabilizando a Ucrânia pelo início do conflito em 24 de fevereiro de 2022 e iniciou diálogos com Moscou sem a participação ucraniana ou europeia. Além disso, Trump insiste em recuperar o valor da ajuda fornecida a Kiev desde o início do conflito por meio do acesso a recursos minerais ucranianos. Kiev afirmou nesta segunda-feira que está nas “fases finais” de um acordo com Washington.
Por sua vez, a Rússia não escondeu aa satisfação desde que Trump rompeu o isolamento ocidental de Putin e abriu negociações bilaterais. Sinal dessa mudança radical de posição, os Estados Unidos propuseram nesta segunda-feira à Assembleia Geral da ONU um projeto de resolução que exige o fim da guerra na Ucrânia, mas sem mencionar sua integridade territorial. A Assembleia Geral reafirmou, apesar disso, seu apoio à integridade territorial da Ucrânia, com 93 votos a favor, 18 contra — incluindo os Estados Unidos — e 65 abstenções.- Sanções contra a Rússia -A China, apoio político crucial de Moscou que nunca condenou a invasão da Ucrânia, respaldou nesta segunda-feira os “esforços positivos” da Rússia para “distender” a crise, em uma ligação entre o presidente Xi Jinping e Putin, segundo meios estatais chineses.
Os aliados europeus de Kiev tentam se mobilizar diante da mudança de postura dos Estados Unidos. O presidente francês, Emmanuel Macron, reuniu-se nesta segunda-feira em Washington com Trump para defender a causa da Ucrânia, poucos dias antes de o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, fazer o mesmo. Após o encontro, Macron elogiou no X a “coragem” da Ucrânia diante do “agressor” russo.
Londres anunciou nesta segunda-feira mais de uma centena de novas sanções contra pessoas e entidades na Rússia e em outros países, como China e Coreia do Norte, acusadas de “apoiar a invasão”. Os países nórdicos e bálticos, cujos líderes participaram da cúpula em Kiev, comprometeram-se a aumentar a ajuda militar à Ucrânia. Nas ruas de Moscou, a mudança radical dos Estados Unidos em relação à Ucrânia foi recebida com entusiasmo pelos moradores entrevistados pela AFP.
A Europa e a Ucrânia “precisam ser intimidadas para mostrar que não são os mais importantes no mundo”, declarou Irina Svetlishaya, aposentada de 77 anos, para quem a Rússia “não pode se mostrar fraca”.
Mon, 24 Feb 2025 18:55:30 GMT
