O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, recebeu a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com todas as honras nesta quinta-feira (4), antes de uma reunião para impulsionar o comércio entre um dos maiores exportadores de petróleo do mundo e sua nação, ávida por energia. Após o encontro em Nova Délhi entre os dois líderes, o Ministério das Relações Exteriores da Índia enfatizou que o gigante asiático vê as vastas reservas de petróleo da Venezuela como uma “oportunidade” e observou que o país já se tornou uma de suas principais fontes de petróleo. Rodríguez está à frente do país latino-americano, que detém aproximadamente 17% das reservas mundiais de petróleo, desde janeiro, quando as forças americanas capturaram o presidente deposto Nicolás Maduro em meio a bombardeios em Caracas. Antes do início da reunião, a presidente venezuelana cumprimentou Modi em frente à histórica Casa Hyderabad, em Nova Délhi, onde o governo indiano estendeu um enorme tapete vermelho para recebê-la. O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, disse na ocasião que estava confiante de que o encontro “fortaleceria ainda mais” a cooperação entre os dois países.
A visita de Rodríguez ocorre em um momento em que a Índia, o terceiro maior importador de petróleo do mundo, aumentou suas compras de petróleo venezuelano para compensar as interrupções no fornecimento relacionadas à guerra no Oriente Médio. “O governo indiano, devido aos acontecimentos no Oriente Médio, busca agressivamente novas fontes de petróleo bruto e energia para garantir a segurança energética”, disse Rudrendra Tandon, alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Índia, a jornalistas após a reunião bilateral. “Portanto, a Venezuela representa uma oportunidade e faz parte do nosso plano”, enfatizou.- “Aliança energética” -A Índia normalmente obtém cerca de metade de seu petróleo pelo Estreito de Ormuz, que dá acesso ao Golfo Pérsico.
No entanto, desde o início do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, o Irã restringiu o tráfego marítimo por essa via estratégica, que normalmente movimenta cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás. “Naturalmente, as conversas de hoje se concentraram em forjar uma aliança energética”, acrescentou Tandon. “No setor de energia, vemos perfeita complementaridade (…).
De fato, em nossas compras à vista, a Venezuela já se tornou nosso terceiro maior fornecedor neste mês”, estimou. Após desembarcar no gigante asiático na quarta-feira, Rodríguez enfatizou que esperava um diálogo focado no fortalecimento da relação bilateral. “Estamos felizes em trazer a mensagem da Venezuela, que é uma mensagem de paz, amizade e cooperação. Teremos uma agenda muito frutífera, onde espero abordar áreas de cooperação que beneficiarão as principais necessidades do povo venezuelano”, disse ele à televisão estatal de seu país.
A Índia, a grande economia de crescimento mais rápido do mundo, sentiu em cheio o impacto da crise energética global desencadeada pela guerra com o Irã, assim como outros países asiáticos. Os altos preços globais do petróleo aumentam sua conta de importação, ameaçando alimentar a inflação e ampliar seu déficit em conta corrente para o maior nível em 14 anos, além de pressionar sua moeda, a rupia, que já enfrenta dificuldades. “A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo”, observou Tandon. “A economia indiana é uma grande consumidora de petróleo, em crescimento, e deverá apresentar um crescimento estável da demanda por muitos anos”, acrescentou.
Thu, 04 Jun 2026 11:54:31 GMT
