FMI alerta que ataques contra a Arábia Saudita podem ter amplo impacto negativo

A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou nesta quarta-feira (14) que os recentes ataques contra a Arábia Saudita podem ter impactos “em todos os lugares”, agravando as preocupações econômicas no mundo. Confrontos violentos foram registrados nas últimas semanas entre os houthis pró-Irã do Iêmen e uma coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita, com ataques contra aeroportos e instalações de energia em todo o reino petrolífero.”A economia saudita é importante para a região e para o mundo”, declarou Georgieva em uma entrevista coletiva durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Bangcoc.”Neste sentido, estes desdobramentos têm efeitos colaterais potencialmente negativos para todos, em todos os lugares”, disse.

A última série de combates foi provocada pelos ataques dos houthis no sábado contra o aeroporto internacional de Riade, que deixaram 13 mortos e provocaram o fechamento do terminal aéreo. O agravamento do conflito aumenta os temores sobre o impacto da crise no Oriente Médio para o crescimento econômico mundial. Os preços do petróleo dispararam desde que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, após os ataques americanos e israelenses contra o país, em fevereiro.

A diretora do FMI abordou o tema durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial desta semana em Bangcoc, onde autoridades de vários países discutem os principais desafios econômicos, como o aumento do custo da energia devido à guerra no Oriente Médio. – “Reparos urgentes” -Georgieva também fez um alerta sobre o crescente endividamento das economias avançadas, que provocou aumentos expressivos na rentabilidade dos títulos.

Ela fez um apelo por “reparos urgentes” para corrigir os desequilíbrios fiscais. Também destacou que o aumento das taxas de juros eleva o custo do serviço da dívida, que passou de 6% das receitas governamentais há uma década para 14% atualmente.”Muitos países não aproveitaram a recuperação após a pandemia para reconstruir sua margem de manobra orçamentária; cada novo choque elevou ainda mais o nível de endividamento”, declarou Georgieva.”É urgente reparar os alicerces orçamentários antes que as rachaduras aumentem.

Chegou a hora de aumentar as receitas, racionalizar os gastos e melhorar a gestão das finanças públicas”, acrescentou. Em suas previsões econômicas globais, divulgadas na terça-feira em Bangcoc, o FMI elevou a projeção de crescimento econômico mundial para 3,1%. Georgieva, no entanto, advertiu que, embora exista uma nova atividade econômica impulsionada pelo aumento dos investimentos em inteligência artificial, os países mais pobres não se beneficiam porque precisam enfrentar o aumento do custo da energia.

A economia mundial “continua resiliente diante de choques muito frequentes e repetitivos e diante da incerteza”, afirmou Georgieva. “Mas esta resiliência está chegando ao seu limite”. O FMI “está soando o alarme sobre o aumento dos desequilíbrios econômicos globais excessivos”.”Em termos muito simples, a China precisa gastar mais, os Estados Unidos têm que poupar mais e a Europa deve investir mais”, acrescentou.”A mensagem que estamos enviando aos nossos membros é: os fundamentos importam.

Coloquem a casa em ordem, pois, em caso contrário, seus jovens, seus negócios pagarão o preço”, destacou. 

Wed, 14 Oct 2026 09:37:56 GMT