Charles III expressa “horror” no Caribe por “monstruosa injustiça” da escravidão

O rei Charles III afirmou nesta terça-feira (3) que o comércio transatlântico de escravizados foi “uma monstruosa injustiça”, durante uma cúpula em Antígua e Barbuda com líderes da Commonwealth, alguns dos quais exigem desculpas oficiais do Reino Unido pelo tráfico de escravizados durante o período colonial.”Esse vergonhoso capítulo da história enche meu coração de horror e minha alma da mais profunda tristeza pessoal”, disse o monarca de 77 anos, na última parada de uma viagem de nove dias pelo Caribe.”No entanto, a história também nos ensina que o mal não precisa ter a última palavra”, acrescentou, citando o papel da Marinha Real britânica no combate ao tráfico internacional de escravizados.

Nenhum monarca britânico apresentou até hoje desculpas oficiais, embora a família real tenha se beneficiado do tráfico. Londres também sempre rejeitou reparações financeiras. – O papel do primeiro-ministro -O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, discute a possibilidade de pedir desculpas pelo papel do Reino Unido na escravidão. Entre 10 milhões e 15 milhões de africanos escravizados foram levados às Américas ao longo de quatro séculos.

O líder trabalhista, no cargo desde julho, afirmou estar disposto a pedir perdão, mas descartou indenizações reivindicadas por países caribenhos. A questão há muito tensiona as relações entre o Reino Unido e suas antigas colônias. Charles III, politicamente neutro, não deve apresentar desculpas. Um porta-voz afirmou que “não seria apropriado” o rei anunciar uma mudança de política do governo.

Burnham abordou o assunto na segunda-feira com a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley. Segundo Downing Street, os dois discutiram um “diálogo estruturado” com comunidades afetadas pelo tráfico de escravizados e os “próximos passos”. No sábado, Burnham escreveu no jornal The Guardian que manteria “conversas difíceis” para proteger o futuro da Commonwealth. “Ouvir os pedidos de desculpas formais em nome do Estado britânico será uma parte importante desse processo, e estou aberto a eles”, afirmou.

O premiê insistiu, porém, que reparações “não são a resposta adequada”, argumentando que os britânicos de hoje não deveriam ser “considerados responsáveis por injustiças históricas, por mais atrozes que tenham sido”. Em vez disso, Londres apoia uma iniciativa liderada pelo ex-primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown para renegociar condições de dívidas dos países mais pobres da Commonwealth, inclusive taxas de juros.

Em 2022, uma viagem pelo Caribe do príncipe herdeiro William e de sua esposa, Kate, foi marcada por manifestações contra a monarquia e pedidos de reparação. Antes de Antígua e Barbuda, Charles III visitou Bahamas e Guiana. A Commonwealth reúne 56 países independentes, a maioria ex-territórios do Império Britânico, e sua reunião bienal de chefes de governo termina na quarta-feira. 

Tue, 03 Nov 2026 18:33:24 GMT