Polícia desmantela acampamento pelo direito à moradia em Madri

O acampamento de ativistas pelo direito à moradia instalado há mais de cinco semanas em uma praça no centro de Madri foi desmantelado na madrugada desta terça-feira (3), a menos de um mês das eleições gerais na Espanha. A crise de moradia, uma das maiores preocupações dos espanhóis, voltou ao debate público no fim de setembro após a expulsão de sua residência de Maricarmen Abascal, uma aposentada madrilena de 87 anos que morreu poucos dias depois. A expulsão da idosa de seu apartamento desencadeou uma onda de manifestações e protestos, como a instalação do acampamento de protesto na praça Porta do Sol.”A retirada do acampamento da (praça) Porta do Sol aconteceu sem distúrbios, nem episódios de violência”, informaram fontes da delegação do governo de Madri.

No total, 334 pessoas foram retiradas e duas foram detidas por desobediência e resistência. Os organizadores do movimento denunciaram no Telegram “uma intervenção policial violenta” que deixou “várias companheiras feridas em consequência dos golpes e do uso de gás de pimenta”.”Às 3 da manhã, entraram 200 (policiais) antidistúrbios com agressões. Eles nos tiraram, nos agrediram, não nos deixaram pegar nada das barracas”, afirmou Flor, uma mulher em situação de rua de 43 anos que vivia no acampamento “desde o dia 26 de setembro, desde o dia do início” do protesto.”Toda a minha documentação, meu telefone, tudo estava lá.

Não tenho nada”, disse à AFP, sem conter as lágrimas. Assim como Flor, muitas pessoas em situação de rua haviam encontrado refúgio nas últimas semanas na Porta do Sol, ao lado de manifestantes e ativistas pelo direito à moradia, em centenas de barracas dentro de um acampamento que tinha refeitório próprio, uma biblioteca e até uma enfermaria.”O dispositivo foi integrado por 220 agentes da Polícia Nacional e 180 da Polícia Municipal de Madri, com a participação de bombeiros e serviços sociais”, afirmou a delegação do governo.

Na manhã de terça-feira, grande parte da praça foi fechada pelas forças de segurança e operações de limpeza estavam em curso. Incapaz de obter a aprovação no Parlamento de dois projetos de lei destinados a enfrentar o problema, o primeiro-ministro Pedro Sánchez convocou eleições legislativas antecipadas para 29 de novembro. Para as famílias de renda modesta, permanecer nas grandes cidades virou uma missão quase impossível nos últimos anos, especialmente em Madri, eleita em 2025 e 2026 pela rede Barnes como a cidade mais cobiçada do mundo no mercado imobiliário de luxo.

Alugar um apartamento de 50 metros quadrados na capital espanhola custava em média 1.170 euros por mês em outubro, segundo o portal Idealista, ou seja, praticamente metade do salário bruto médio. Diante dos defensores do direito à moradia, os proprietários reivindicam, por sua vez, mais garantias jurídicas e lamentam que o despejo de inquilinos inadimplentes possa demorar meses, ou mesmo anos.  

Tue, 03 Nov 2026 10:29:33 GMT