Ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais reúnem-se nesta semana na Tailândia para os encontros anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em um contexto de choque energético, pressão pela dívida pública e ascensão da inteligência artificial. As reuniões ocorrem de segunda a sábado em Bangcoc e permitirão às autoridades discutir opções difíceis. A semana incluirá uma série de reuniões de alto nível a portas fechadas, eventos públicos e anúncios de políticas por parte das principais autoridades econômicas do mundo. O FMI, que descreve uma conjuntura marcada tanto pela alta dos preços da energia quanto pelo boom da inteligência artificial (IA), apresentará suas previsões atualizadas na terça-feira (13).
A aceleração da IA e os enormes investimentos que ela gera “é o que permite à economia mundial manter um crescimento de 3%”, declarou nesta segunda-feira (12) a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva. No entanto, esse avanço continua sendo muito desigual dependendo da região. Os países em desenvolvimento devem priorizar aplicações de “IA em pequena escala” e não tentar competir com centros de dados gigantes ou com modelos de ponta, como os que estão sendo desenvolvidos na China e nos Estados Unidos, afirmou nesta segunda-feira o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, em declarações à AFP. Esses países não dispõem “nem da capacidade de processamento, nem da eletricidade, nem dos recursos humanos necessários”, mas podem utilizar aplicações de IA em smartphones, menos potentes, em áreas como saúde, educação e agricultura, explicou. – “Tempestade perfeita” -Outra preocupação central é o impacto da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que disparou os preços da energia, em parte devido às represálias de Teerã com ataques a aliados de Washington no Golfo e o bloqueio do trânsito de petróleo na região. O FMI alertou que os efeitos desse choque têm sido desiguais e afetam mais severamente os países em desenvolvimento que dependem de energia importada. A isso se somam as consequências que o fenômeno meteorológico El Niño pode ter em países da América do Sul, da África e da Ásia, cujas colheitas ele ameaça.”Os Estados mais pobres membros do FMI e do Banco Mundial enfrentam dificuldades devido aos efeitos da guerra no Irã, às taxas de juros crescentes no Ocidente e a uma crise climática agravada pelo fenômeno El Niño”, comentou Kevin P.
Gallagher, diretor do Centro de Política de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston.”O FMI e o Banco Mundial não estão à altura das circunstâncias. É necessária uma resposta ambiciosa que forneça liquidez de emergência a curto prazo, juntamente com financiamento de longo prazo para tornar as trajetórias de crescimento econômico menos vulneráveis a essas perturbações”, acrescentou. Segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), os choques combinados “poderiam levar mais milhões de pessoas à pobreza, enquanto os países em desenvolvimento lutam para manter a ajuda às famílias”. “A alta nos preços do petróleo e dos alimentos deixa milhões de famílias sem margem de segurança”, apontou o administrador do PNUD, Alexander de Croo. “Estamos presenciando uma tempestade perfeita que poderia levar dezenas ou centenas de milhões de pessoas à pobreza”, afirmou. – Dívida sob pressão -As economias avançadas da Europa e dos Estados Unidos conseguiram contornar melhor a turbulência dos preços da energia, mas não ficaram imunes à inflação impulsionada por esses aumentos. Bancos centrais de todo o mundo elevaram as taxas de juros para conter a alta dos preços, o que freia a atividade econômica. Esse aperto monetário “deve ser conduzido com grande prudência.
Mas, se a inflação sair de controle, poderá se tornar uma ameaça significativa para a população”, declarou Kristalina Georgieva à AFP na semana passada. Outro perigo: as tensões no mercado da dívida, onde disparam os rendimentos dos títulos soberanos dos Estados Unidos, do Japão e de países europeus. Vários fatores contribuem para isso: a inflação, a alta das taxas de juros pelos bancos centrais, as grandes emissões de dívida das gigantes da IA , que competem com as emissões dos Estados, e também a preocupação com dívidas públicas colossais. “Se a crise energética persistir e as fragilidades políticas se intensificarem, poderá haver um movimento forçado mais intenso: um cenário no qual a zona do euro fique mais exposta, uma vez que os níveis da dívida na região são mais elevados”, avaliou Ana Boata, economista da Allianz Trade.
Mon, 12 Oct 2026 13:10:21 GMT
