Irã propõe reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias

O Irã apresentou uma proposta aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz, uma via navegável marítima estratégica no epicentro da guerra entre os dois países, dentro de sete dias, declarou o ministro das Relações Exteriores iraniano a diversos veículos de imprensa estrangeiros. O plano iraniano fez com que os preços do petróleo recuassem nesta sexta-feira (25), após terem disparado na véspera: o barril Brent do Mar do Norte, com entrega prevista para novembro, estava em queda de 1,31% às 9h45 GMT (06h45 em Brasília), cotado a 105,20 dólares (544,82 reais), enquanto seu equivalente nos EUA, o West Texas Intermediate, recuava 1,93%, para 92,78 dólares (480,49 reais).

Abbas Araghchi, que viajou a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, transmitiu as condições do Irã para a reabertura do estreito ao enviado americano Steve Witkoff na terça-feira. O tráfego marítimo no estreito sofre muitas complicações desde o início da guerra no Oriente Médio. “Se certas condições forem atendidas, o estreito será aberto dentro de sete dias e as negociações começarão”, disse Abbas Araghchi a diversos veículos de imprensa estrangeiros, incluindo o The New York Times e o The Guardian. Na terça-feira, a agência de notícias japonesa Kyodo, citando uma autoridade iraniana, foi a primeira a informar essa proposta de Teerã.

No entanto, a imprensa iraniana negou a informação e, até o momento, nenhuma declaração oficial foi emitida para esclarecer a posição de Teerã. O Irã afirma ter apresentado sete condições para o fim da guerra e a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo Araghchi, citado pelo The New York Times, a proposta lista as seguintes condições: uma cessação de sete dias de todas as hostilidades no Oriente Médio, incluindo no Líbano; o desbloqueio de ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos 12 bilhões de dólares (62,1 bilhões de reais); o levantamento das sanções ao petróleo iraniano; e o fim do bloqueio naval dos EUA contra o Irã.

No sétimo e último dia, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz. Abbas Araghchi afirma estar aguardando uma resposta de Washington e garante que a China, cujo presidente está atualmente em visita oficial aos Estados Unidos, apoia a proposta. Em entrevista exclusiva à AFP na terça-feira, o porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Mohebi, também mencionou o fim das hostilidades no Iêmen entre as condições do Irã.

O presidente americano, Donald Trump, e seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram em junho um acordo protocolar com o objetivo de encerrar a guerra, reabrir o Estreito de Ormuz e, posteriormente, iniciar negociações sobre a delicada questão do programa nuclear iraniano. No entanto, o texto foi alvo de diferentes interpretações por ambos os lados, o que levou à retomada das hostilidades no Estreito de Ormuz. O Irã exige que os navios que desejam transitar pelo estreito obtenham sua autorização, alegando razões de segurança e soberania.

Navios que não cumprem essa exigência são atacados regularmente, enquanto os Estados Unidos bombardeiam esporadicamente a costa iraniana.

Fri, 25 Sep 2026 11:07:12 GMT