Mercosul se reúne em Foz do Iguaçu enquanto UE espera assinar acordo em 12 de janeiro

Os países do Mercosul se reuniram, nesta sexta-feira (19), na cidade de Foz do Iguaçu, Paraná, aguardando o desfecho das negociações por parte da União Europeia, que espera assinar o acordo comercial entre os dois blocos em 12 de janeiro. A Comissão Europeia confirmou na quinta-feira que o tratado, negociado há 25 anos, não seria assinado este sábado em Foz do Iguaçu, como estava previsto.

Embora o bloco sul-americano — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — e a maioria dos países europeus estivessem prontos para assinar, protestos de agricultores na França e na Itália impediram o consenso necessário. Uma fonte da Comissão e dois diplomatas indicaram em Bruxelas que a nova data prevista é 12 de janeiro, no Paraguai. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou confiança no dia anterior de que o acordo poderia ser finalizado em janeiro. “A questão não é mais se o acordo será assinado, mas quando”, afirmou um porta-voz do governo alemão.

O Brasil detém a presidência rotativa do Mercosul e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na quinta-feira, que transmitirá o pedido de adiar a assinatura na cúpula de sábado com seus homólogos do Mercosul. Lula afirmou que a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, lhe pediu “paciência por uma semana, dez dias, um mês” para assinar o pacto. O acordo criaria a maior zona de livre comércio do mundo. – “Além do racional” -Os agricultores europeus, especialmente na França e na Itália, estão receosos com a entrada de carne, arroz, mel e soja sul-americanos, considerados mais competitivos devido às suas normas de produção menos rigorosas. Eles expressaram seu descontentamento na quinta-feira com protestos massivos em Bruxelas, à margem da cúpula. O pacto comercial inclui diversas cláusulas de salvaguarda para proteger o setor, mas “na opinião pública francesa, há algo para além do racional que impede que esse acordo seja assinado”, disse à AFP uma fonte do governo brasileiro.”A gente vê que o cenário político interno francês é delicado”, acrescentou a fonte.

Dezenas de agricultores franceses se manifestaram nesta sexta-feira em frente à casa de praia do presidente, Emmanuel Macron, e jogaram esterco nos arredores para protestar contra o acordo comercial, entre outras reivindicações. A cúpula entre Lula; seu homólogo argentino, Javier Milei; o presidente uruguaio, Yamandú Orsi; e o presidente paraguaio, Santiago Peña, será precedida por uma reunião nesta sexta-feira entre seus ministros da Economia e das Relações Exteriores. Enquanto isso, Lula vai inaugurar a Ponte da Integração Brasil-Paraguai nesta sexta-feira, na fronteira entre os dois países, e Peña planeja inaugurá-la no lado paraguaio.

As relações entre os dois países ficaram tensas este ano devido à revelação de uma operação de espionagem da inteligência brasileira que tinha como alvo instituições paraguaias. O governo Lula reconheceu a espionagem, mas culpou seu antecessor Jair Bolsonaro. Os presidentes das duas maiores economias do Mercosul, Lula e Milei, que têm ideologias opostas, não realizaram nenhuma reunião bilateral até o momento. O presidente ultraliberal da Argentina chega a Foz do Iguaçu poucos dias depois de publicar um mapa em sua conta do Instagram retratando o Brasil e outros países de esquerda da região como uma enorme favela empobrecida.

A Argentina, por outro lado, aparece no mapa como um país futurista, assim como o Chile, onde a extrema direita acaba de ganhar a eleição. Na frente econômica, o Brasil buscará incluir seus setores automotivo e sucroalcooleiro no mercado comum do Mercosul, uma reivindicação antiga que encontra resistência por parte dos demais membros do bloco.

Fri, 19 Dec 2025 20:01:46 GMT