Manifestantes montam novos acampamentos por crise da moradia em Portugal

Dezenas de ativistas portugueses pela habitação montaram novos acampamentos de protesto em Lisboa e no Porto, poucos dias depois de a polícia ter desmantelado outros acampamentos nas duas principais cidades da nação ibérica. Cerca de 60 barracas podiam ser vistas nesta quarta-feira (4) na Praça do Rossio, na capital portuguesa, depois que os ativistas as montaram durante a noite, constatou um jornalista da AFP. Já no Porto, no norte do país, havia cerca de 30 barracas em uma das principais praças da cidade, segundo a imprensa.

O manifestante Rui Coelho, de 35 anos, disse à AFP em Lisboa que estava aliviado pelo fato de a primeira noite ter transcorrido com tranquilidade. “Não sabíamos o que ia acontecer, se a polícia viria ou não”. Inspirados pelos protestos na Espanha após o despejo de Maricarmen Abascal, uma mulher de 87 anos que se tornou um símbolo da crise habitacional, os acampamentos de protesto em Portugal já foram desmantelados em diversas ocasiões. A polícia efetuou 13 detenções no Porto ao encerrar os últimos protestos no fim de semana.

Vinte e cinco ativistas ficaram feridos, segundo os serviços de emergência. No entanto, um tribunal de Lisboa decidiu, na segunda-feira, que uma barraca poderia permanecer na Praça do Rossio, apesar de a polícia alegar que um decreto proibia protestos no local após a meia-noite. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou na noite de terça-feira que seu governo minoritário de centro-direita se reuniria com líderes da oposição para discutir medidas destinadas a aliviar a crise habitacional no país, reconhecendo a existência de um “problema grave”. Montenegro busca o apoio da oposição para uma reforma que simplifique os despejos em alguns tipos de imóveis alugados.

Os ativistas presentes nos acampamentos de protesto se opõem energicamente à medida.

Wed, 04 Nov 2026 12:49:24 GMT