Milhares participam da Marcha do Orgulho em Buenos Aires na véspera da visita papal
Milhares de pessoas participaram, neste sábado (7), em Buenos Aires, da 35ª edição da Marcha do Orgulho LGBT+ para celebrar a diversidade sexual e denunciar um aumento de ataques homofóbicos na véspera da chegada do papa Leão XIV à capital argentina.”Quando o ódio avança, o orgulho nas ruas é resistência” foi o lema da marcha, que reuniu uma multidão na movimentada avenida 9 de Julio, em Buenos Aires, e terminou com um show em frente ao Congresso Nacional.
O percurso foi alterado pelas medidas de segurança para a visita papal. Este ano, a marcha repudiou o ataque contra trabalhadoras sexuais transgênero no bairro de Palermo na madrugada de 1º de novembro. As vítimas foram espancadas por mais de cinquenta homens de bicicleta, que depois publicaram imagens das agressões nas redes sociais. Até agora, ninguém foi detido. “Orgulho no poder, ódio pro caralho”, dizia um enorme cartaz levado por manifestantes em uma colorida procissão de carros alegóricos, na qual predominaram palavras de ordem pedindo “mais amor e menos ódio”.”Ninguém pode dizer como você deve viver sua sexualidade, dizemos chega a tanta intolerância, nos marginalizam, nos maltratam, nos odeiam e nós respondemos com amor, com projetos, com família e com esta festa”, disse à AFP Jesica Pintos, anestesista de 51 anos, que foi “comemorar a liberdade” com sua esposa, Luciana Burgos, e o filho de 5 anos do casal.
Durante 2025, foram notificados 227 casos de crimes de ódio, entendidos como ataques e agressões motivados por discriminação pela orientação sexual. Oitenta deles terminaram em homicídios, um pico desde o início da série, em 2016, segundo o Observatório Nacional de Crimes de Ódio LGBT+. O grupo mais afetado são as mulheres transgênero, de acordo com o último relatório publicado. A visita de Leão XIV esteve presente em muitas das fantasias deste ano, com alegorias religiosas.
Nos mastros da cidade, bandeiras papais apareceram lado a lado de leques multicoloridos usados pelos manifestantes.”Honestamente, para mim não significa muito porque não sou muito religioso”, disse à AFP Brandon González, de 27 anos, sobre a visita do papa. No entanto, ele lembrou que o falecido papa Francisco “era bastante empático com a comunidade LGBT+”. A visita de Leão XIV “pode ser uma grande oportunidade para que vários de nós (…) consigamos algum tipo de conexão e possamos dizer: ‘Bom, não é tão ruim’.
Ao ficar sabendo da marcha, que ele nos dedique algumas palavras e um pouco de interesse”, disse. Para Romina Zavalla, uma manifestante de 49 anos, é preciso dar tempo ao novo papa. “Olha, eu acho que cada um é como é, e se ele tiver a mente tão aberta quanto o papa anterior, seria ótimo. Porque isso é progredir”, acrescentou.
Sat, 07 Nov 2026 22:28:42 GMT
