O comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, considerou inapropriada a presença do ministro russo das Finanças na reunião do G20 organizada pelos Estados Unidos, e declarou que “não é o momento de normalizar” as relações com Moscou. O ministro russo, Anton Siluanov, apareceu de surpresa na segunda-feira na mesa na qual estava reunida uma dezena de autoridades em Ashville, na Carolina do Norte.”Parece-me que a posição da Europa é conhecida”, disse Dombrovskis à imprensa nesta terça-feira (1º). “Não pensamos que seja o momento de normalizar a Rússia”, nem sua presença nestes encontros, acrescentou.”Pessoalmente, sempre me pareceu incômodo tratar temas sensíveis com representantes de regimes que conduzem uma guerra e que diariamente matam civis”, disse o comissário europeu, aludindo ao conflito entre Rússia e Ucrânia.
O vice-chanceler e ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, também abordou a ofensiva russa. “Nas últimas semanas e meses, temos testemunhado um aumento nos brutais ataques com foguetes contra a população civil”, disse a jornalistas nesta terça-feira. “Isso precisa parar”, enfatizou. Klingbeil afirmou que ele e outros ministros europeus deixaram sua posição sobre a Ucrânia “absolutamente clara”.
A presença de Siluanov “gerou incômodo, sem dúvida nenhuma”, completou o ministro canadense das Finanças, François-Philippe Champagne, em entrevista à AFP. “Sempre fomos muito firmes em nosso apoio à Ucrânia e ao povo ucraniano, e isso não vai mudar (…) Também estamos muito unidos com nossos parceiros europeus”. Enquanto os líderes do G7 se reuniam na noite de segunda-feira, o ministro ucraniano das Finanças conectou-se remotamente para as conversas sobre o apoio a Kiev.
Siluanov, por sua vez, se reuniu na segunda-feira com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anfitrião do encontro. O bloco europeu conseguiu que o ministro russo ficasse de fora da foto de família. Dombrovskis destacou que “pressionou” seus pares para aumentarem a ajuda financeira à Ucrânia. Moscou intensificou os ataques a Kiev neste verão boreal, mais de quatro anos e meio depois do início da invasão russa à Ucrânia.
As negociações auspiciadas pelos Estados Unidos seguem congeladas, enquanto o Kremlin mantém suas exigências maximalistas para pôr fim à guerra. – Um G20 tenso – Os ministros das Finanças e os governadores de bancos centrais do Grupo dos 20 conduzem seu segundo dia de reuniões, com questões como os “desequilíbrios” econômicos na agenda. O tema central aponta para as preocupações com o excesso de capacidade industrial da China e o que Washington considera “práticas comerciais desleais”.
Os encarregados das Finanças das principais economias globais se reúnem desde segunda-feira e até esta terça nesta cidade das Montanhas Blue Ridge. Mas suas conversas foram ofuscadas pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, as tarifas do presidente Donald Trump e a frustração dos líderes europeus pelo comparecimento inesperado do ministro das Finanças russo. O próprio Champagne se reunirá à tarde com Bessent, em meio à guerra tarifária entre Estados Unidos e Canadá. – Avanços difíceis – Com os Estados Unidos à frente da presidência rotativa do G20, Washington vem tentando mobilizar seus parceiros a aumentar a pressão econômica sobre o Irã e encontrar vias para impulsionar o crescimento global.
O G20 é composto por 19 países, mais a UE e a União Africana, e foi criado após a crise financeira asiática de 1997-1998 para fortalecer a estabilidade econômica e financeira mundial. Os funcionários americanos pressionaram para alcançar um acordo sobre um comunicado final conjunto. As conversas do G20 sobre finanças servem como antessala para a cúpula de líderes, que Trump convocará em dezembro em Miami.
Mesmo assim, “muito poucas reuniões recentes do G20 produziram avanços significativos, e é pouco provável que esta consiga”, ressaltou James Lindsay, do think-tank Council on Foreign Relations. Lindsay disse à AFP que há “diferenças significativas” entre os ministros do G20, entre elas sobre como abordar o excesso de capacidade manufatureira da China e as sanções ao Irã.
O convite de Washington a Siluanov “certamente não ajuda os esforços dos Estados Unidos para somar os europeus” na hora de aumentar a pressão sobre o Irã ou fomentar a aceitação das políticas econômicas de Trump, acrescentou. Também há descontentamento com a exclusão este ano da África do Sul, membro do G20, disse Lindsay. Embora os líderes possam alcançar acordos sobre temas como a inteligência artificial, incluídos na agenda formal dos Estados Unidos, persistem grandes diferenças entre Washington e Pequim, assim como com seus aliados, entre eles o vizinho Canadá, acrescentou.
Tue, 01 Sep 2026 19:35:50 GMT
