Venezuela afirma que exportações de petróleo continuam ‘normalmente’ após bloqueio de Trump

A Venezuela afirmou, nesta quarta-feira (17), que suas exportações de petróleo ocorrem “normalmente” após o anúncio do presidente americano, Donald Trump, sobre o bloqueio a todos os “petroleiros sancionados” que entram ou saem do país. O governo da Venezuela, país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, chamou a declaração de “irracional” e de “ameaça grotesca”.

As Forças Armadas também condenaram o anúncio. Os Estados Unidos intensificaram sua campanha contra o presidente Nicolás Maduro, a quem qualificam como líder de um cartel do narcotráfico e cujo mandato não reconhecem. Washington apoia a campanha da Nobel da Paz, María Corina Machado, que denuncia fraude nas eleições de 2024. Machado chegou a Oslo em 11 de dezembro, um dia depois da cerimônia de entrega do Nobel, recebido por sua filha em seu nome.

A líder opositora passou mais de um ano na clandestinidade na Venezuela. Mas nesta quarta-feira ela deixou Oslo, segundo um colaborador próximo que não informou seu novo destino.- Sanções -Trump assegurou que a medida de bloqueio será mantida até que a Venezuela devolva o petróleo que, a seu ver, roubou dos Estados Unidos. A estatal petrolífera PDVSA informou, por sua vez, que “as operações de exportação de petróleo e derivados estão ocorrendo normalmente”.“Os petroleiros envolvidos nas operações da PDVSA continuam navegando com pleno seguro, suporte técnico e garantias operacionais”, disse a companhia em nota. “Nenhuma destas agressões conseguiu abalar a capacidade operacional ou a determinação da força de trabalho da PDVSA.”Trump impôs um embargo ao petróleo da Venezuela em 2019, durante seu primeiro mandato, parte de um conjunto de sanções que buscou, sem sucesso, a queda de Maduro.

O Irã, aliado de Maduro junto com Rússia, China e Cuba, denunciou nesta quarta-feira o “roubo à mão armada no mar” do petroleiro.“Essas posturas e ações são claras manifestações de uma política baseada no uso da força e no assédio sistemático”, afirmou a chancelaria iraniana em um comunicado. O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, também expressou a rejeição de Pequim “a toda forma de assédio” contra a Venezuela, em uma ligação com seu homólogo venezuelano, Yvan Gil.

O embargo americano obrigou a Venezuela a colocar sua produção no mercado paralelo a preços sensivelmente mais baixos, destinada em particular a países asiáticos, como a China. O país sul-americano produz 1 milhão de barris diários (bd) e estima alcançar 1,2 milhão até o final do ano. Os preços do petróleo registraram alta nesta quarta-feira após o anúncio do presidente dos Estados Unidos.- “Não nos intimidam” -O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, afirmou, por sua vez, que a Venezuela não cairá “em provocações”.”Dizemos ao governo americano e ao seu presidente que suas ameaças grosseiras e arrogantes não nos intimidam”, disse ele, acompanhado do alto comando militar.

Trump ordenou, em agosto, uma mobilização militar no Caribe e no Pacífico sob o argumento de combater o narcotráfico, embora Maduro insista que o objetivo é derrubá-lo e se apropriar das riquezas venezuelanas. Nesta quarta-feira, a embaixada dos Estados Unidos no Equador deu as “boas-vindas” a tropas desse país que se deslocam ao porto de Manta para uma “operação temporária” contra o tráfico de drogas.

Militares americanos apreenderam, em 10 de dezembro, um navio-tanque que estava sancionado pelo Departamento do Tesouro americano e que havia zarpado da Venezuela carregado de petróleo. Os Estados Unidos ficaram com a embarcação e o petróleo. O governo de Maduro chamou a ação de “roubo descarado” e acusou Trinidad e Tobago de ajudar na apreensão. O navio transportava entre 1 e 2 milhões de barris de petróleo, segundo diferentes estimativas.- “Tábua de salvação” -A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu mais cedo, nesta quarta-feira, que a ONU assuma seu papel e “evite qualquer derramamento de sangue” na Venezuela.“Não se tem visto [as Nações Unidas].

Que assuma seu papel para evitar qualquer derramamento de sangue e que se busque sempre a solução pacífica dos conflitos”, declarou a mandatária de esquerda ao comentar, em entrevista coletiva, a nova medida de pressão de Trump sobre a Venezuela. Quanto às implicações para a economia venezuelana, no curto prazo um menor envio de petróleo “cortaria uma tábua de salvação crucial para a economia”, indicou a consultoria Capital Economics.“O impacto de médio prazo dependerá em grande medida de como evoluem as tensões com os Estados Unidos e de quais forem os objetivos do governo americano na Venezuela”, advertiu a consultoria em relatório nesta quarta-feira.

Wed, 17 Dec 2025 17:09:12 GMT