UE e Canadá querem levar relação “ao mais alto nível possível” em cúpula em Montreal
A União Europeia quer construir uma aliança com o Canadá que “se aproxime mais da adesão do que qualquer outra coisa” feita anteriormente, declarou nesta quinta-feira (29) a chefe do bloco, Ursula von der Leyen, antes do início de uma cúpula com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney. O Canadá e a UE se reúnem nesta quinta e sexta-feira em Montreal com o objetivo de elevar sua cooperação a um nível sem precedentes, em um contexto de fortes tensões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.”Ambos queremos levar nossa relação ao nível mais alto possível”, afirmou von der Leyen em um discurso, em referência à possibilidade de o Canadá se tornar o “primeiro membro associado” da União Europeia, apesar das divergências internas no bloco sobre o uso desse termo.”Nossa ideia é simples: é uma ‘associação sem adesão'”, declarou durante um evento organizado por um instituto de pesquisa.
Von der Leyen sugeriu pela primeira vez no mês passado que o Canadá poderia se tornar um “membro associado”, mas esse título não existe nos tratados da UE. Alguns Estados-membros, liderados pela Alemanha, conseguiram que o termo fosse retirado de uma declaração conjunta da cúpula, após um prolongado embate que ameaça tirar o brilho das conversas em Montreal. O primeiro-ministro Carney minimizou na terça-feira a importância do “nome específico” dado a essa aproximação. “O que importa é a diferença que isso fará na vida dos canadenses”, disse.
Tanto o Canadá quanto a União Europeia foram abalados pelo segundo mandato de Trump. As tarifas dos Estados Unidos atingiram com força a economia canadense, enquanto as repetidas ameaças de anexação por parte do presidente provocaram indignação. Trump disse que poderia considerar laços mais estreitos entre a UE e o Canadá como um “ato hostil” que exige retaliação. Mas Carney afirmou nesta quinta-feira, antes da cúpula, que, quando o Canadá estiver mais diversificado, “os Estados Unidos verão o benefício”. — “Parceiros de confiança” — Esta cúpula também deve permitir que o Canadá e a UE ampliem sua já estreita cooperação em diversas áreas, como minerais estratégicos, comércio digital, pesquisa, mobilidade de jovens e inteligência artificial.
E, sobretudo, estreitem seus laços para se tornarem mais fortes juntos diante das duas superpotências que são a China e os Estados Unidos. O comércio está sendo usado como “uma ferramenta de pressão econômica”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, em uma aparente referência aos Estados Unidos e à China.”Estamos vendo, em tempo real, como nossa soberania está sendo atacada”, declarou von der Leyen durante um evento organizado por um instituto de pesquisa em Montreal.
Bruxelas e Ottawa poderiam optar por “seguir caminhos separados” ou “adotar uma abordagem mais estratégica com parceiros de confiança que enfrentam os mesmos desafios”, observou. Em meio a um conflito comercial com os Estados Unidos, o Canadá embarcou, há um ano, em uma frenética busca por novos parceiros, com o objetivo de reduzir sua dependência comercial e militar de seu vizinho.
E a UE é uma parceira lógica para “o país mais europeu entre os não europeus”, segundo Carney. Em setembro, Trump havia manifestado sua oposição a essa aproximação entre a UE e o Canadá, classificando-a como “ridícula”, e chegou até mesmo a ameaçar romper as relações comerciais com o bloco europeu. A UE e o Canadá já possuem um acordo de livre-comércio, embora ele ainda não tenha sido plenamente implementado, e autoridades canadenses afirmaram que as empresas estão buscando novas oportunidades na Europa para compensar as perdas relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Thu, 29 Oct 2026 18:25:01 GMT
