Fed mantém taxas de juros inalteradas pela terceira reunião consecutiva

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve inalteradas, nesta quarta-feira (29), suas taxas de juros, naquela que provavelmente foi a última reunião de política monetária presidida por Jerome Powell. A reunião do Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC) levou em conta as perturbações na economia provocadas pela guerra no Oriente Médio.”A inflação continua elevada, em parte pelo recente aumento dos preços mundiais da energia”, afirmou o Fed, que manteve as taxas em um intervalo entre 3,50% e 3,75%.

Mas quatro dos 12 dirigentes com direito a voto se opuseram à decisão, incluindo Stephen Miran, que defendia um corte de 0,25%. Outros três – Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan – apoiaram a pausa, mas não o comunicado do Fed que indica uma inclinação para taxas de juros mais baixas. Foi o maior número de votos dissidentes desde 1992, e a divergência entre os dirigentes será acompanhada de perto.

O banco central vem seguindo uma trajetória de cortes de juros desde o fim do ano passado. Porém, com o aumento dos custos de energia e os transtornos nas cadeias de abastecimento provocadas pela guerra, os analistas estão atentos a se a inflação poderia levar os responsáveis pela política monetária a considerar, em vez disso, a necessidade de um aumento dos juros. A atenção imediata concentra-se agora nos planos futuros de Powell, alvo frequente da ira do presidente americano, Donald Trump.

A coletiva de imprensa do presidente do Fed estava marcada, como de costume, para as 14h30 locais (15h30 no horário de Brasília), após o anúncio da decisão do FOMC. Desde que voltou ao poder no ano passado, Trump criticou e insultou com frequência Powell por não cortar as taxas de juros, uma política que impulsionaria fortemente a atividade econômica, mas que poderia alimentar a inflação.

Por ora, o ex-diretor do Fed (2006-2011) Kevin Warsh, indicado por Trump, larga em vantagem para substituí-lo. Uma comissão do Senado de maioria republicana aprovou nesta quarta-feira sua nomeação, abrindo caminho para sua designação definitiva, que precisa obter o aval do plenário da Câmara dos Representantes.- O que fará Powell? -Powell deixará então o Fed para dar livre passagem ao seu sucessor, ou continuará sendo um alto dirigente da instituição, como tem a possibilidade de fazer?

Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, disse acreditar que Powell permanecerá no Fed como membro do Conselho, e acrescentou que isso “ajudaria a preservar a continuidade institucional”. Se ficar, tirará de Trump a oportunidade de preencher rapidamente essa vaga com uma pessoa de sua escolha. Seja o que fizer Powell, sua decisão “vai gerar inquietações” entre os investidores, estimou a professora de economia da Universidade St.

Mary’s, no Texas, Belinda Roman, em declarações à AFP.”Se Kevin Warsh quiser realmente baixar as taxas de juros”, enfatizou, “terá que conquistar o voto dos demais” membros do FOMC. E estes “precisam avaliar todas as consequências da situação [no Oriente Médio] antes de passar à ação”. Por enquanto, o desemprego é moderado (4,3%), o consumo se mantém firme e a inflação se afasta da meta do Fed, que é de 2%.”Mesmo que se vislumbre uma saída [para o conflito] no próximo mês”, os preços não vão se acalmar imediatamente, advertiu Roman, porque “as altas da energia estão se transmitindo para toda a economia: fertilizantes, agricultura, alimentação, transporte”.

Segundo o FedWatch, ferramenta de monitoramento do grupo CME, os investidores ainda não consideram que o Fed vá elevar suas taxas para combater a inflação, mas apostam em um longo statu quo.

Wed, 29 Apr 2026 20:18:23 GMT